Quando a Sexta-feira é 13

Ele acordou com gosto de cerveja do dia anterior na boca. O mundo havia parado de girar, afinal era sexta-feira 13. O planeta pára um pouco em dias como esses. Jogou a coberta para o lado e sentiu o frio da manhã de outono. Só depois de perceber que o despertador não havia tocado ainda, é que se lembrou de seu nome. Foi até o espelho para ter certeza que era ele mesmo. “Afinal faço isso em todas as manhãs.” Depois foi até a porta da geladeira. Parou para ler o poema do Fernando Pessoa.
 
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
 
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
 
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
 
Após o banho demorado, Tito sentiu que a dor da ausência de esperança. Respirou fundo e deixou o ar escapar. Ele desejou ter quem abraçar. Desejou não ter ninguém. E foi atendido. Sozinho. Solidão. Foi trabalhar. O dia seguiu seu caminho. Como se espera. Longe do que se deseja. “Principalmente quando não se sabe o que desejar. Quero alegria e tristeza. Quero amor e ódio. Só não quero mais esse nada. Tenho vontade de pular desse barco que segue sem ondas.” Sexta-feira 13 nunca é fácil. “Ainda mais com tanta falta de não se sabe o quê.”

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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7 respostas para Quando a Sexta-feira é 13

  1. Flavia disse:

    será que vou conseguir?hihihihihihihihihihbom, eu já disse. essa é a minha essência.Flavia pensa. Melissa sente.E as duas ficam felicíssimas de saber que existem semelhantes no mundo :)beijo, beijo, beijo!

  2. Felipe disse:

    viu só.. já tem eu, o tito, a flávia e a melissa…
    sozinhos não…

  3. Alice Salles disse:

    Oi!então, não sei como explicar que te entendo, porque entendo de uma maneira estridente… e não sei te explicar como entendo porque o como é exatamente assim do jeito que você descreveu… e não sei dizer o quanto odeio o Windows Live Messeger! Mas tudo bem, a vida não é perfeita sempre… (Não sempre!)Beijosinal.

  4. mercedes disse:

    Olha só…a turminha toda aqui…e o Felipe postando assim, de graça…Isso é bom de mais! Matar uns personagens parece que faz bem pra alma. hahaha!Eu quero você alegre.Me lembrei de um Tito que tomava banho de pijama e voltava a escrever até o pijama secar…e me deu aflição. Muita aflição.Beijos

  5. paola disse:

    sexta 13 nunca é facil.
    acho que por isso eu decidi nascer em uma. antes do previsto, pra fazer tudo mais dificil, e de repente virou hábito.

  6. Flavia disse:

    quero post novo!!!agora!!!

  7. luci disse:

    Sexta-feira 13! Estou tão infurnada na vida que é a errada que nem tinha percebido que era sexta 13.
    Não sei porque, mas lembrei-me de uma brincadeira que eu e o titinho faziamos…quer dizer acho que era eu quem me divertia…ou não? Ah, acho que ele também gostava.
    Era assim: ele fazia algo que eu fingia não gostar e eu começava a virar bruxa….lembra disso? Então eu ia fazendo umas caretas cada vez mais feias e uns grunidos cada vez mais altos, então o tito gritava e corria  pela casa meio que sorrindo até que nós dois acreditavamos na brincadeira. Eu ficava muito horrorosa querendo relamente alcançá-lo e ele gritava muito para que eu parasse e quando isso acontecia nós dois estavamos cansados. O tito então esperava que eu me recuperasse e olhava com aquele ar de provocação e tudo começava outra vez.
    Essa vida era a que certa!
    Um beijão Titão, que a bruxa está solta!
     

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