Me too…

 

(texto a quatro mãos: as duas do Felipe Belão Iubel e as duas da Alice “Wonderland Girl” Salles – “ela, puro sentimento” diz Tito)

 

“Amo quando a gente respira fundo e o ar gela os pulmões…”

Tinha passado muito tempo desde a última chuva que molhou seus pés na varanda de sua casa. Voltar pra onde ela nunca tinha realmente saído não era um alívio, era um vazio que precisava ser preenchido.

“Me too…”

Talvez preenchido não com pensamentos arredios ou tristes, mas sim com gente. Quando foi a última vez que ela tinha amado alguém.

Tito a imaginava tão forte. Tão forte para seu olhar de menina perdida perdido. Ela sonhava oferecer mais do que o mundo parecia aceitar. E os três repetiam aquela frase na varanda enquanto a chuva insistia em sua beleza.

“Me too…”

E a verdade era que ele gostava mesmo. Bobby representava sua falta de chão. Ela representava a inocência sendo perdida em seu mundo de nuvens. Tito podia sentir sua própria expressão triste sonhando com a janela às suas costas. Futuro? Quem escolhe viver, chama o presente de anjo amigo.

“Me too…”

Já estava tarde e Nina Simone tocava no rádio velho que estava sobre o balcão da cozinha. O vazio tomou conta novamente e quem estava perto estava respirando no mesmo ritmo que Tito respirava. O cheiro do mato, a voz no rádio, o balanço dos corpos ao seu lado… Tudo o remetia aos pensamentos que não precisavam existir.

“Amo não pensar…”

Me too…

Me too…

Era isso enfim o que ele queria ter eternamente pendurado em seu pescoço como um amuleto único no mundo: o não pensar.

Me too…

Era isso que aqueles que dividiam a respiração com ele precisavam. Afinal, não é bom precisar de algo que se pode ter assim tão fácil com alguém?

Porém, o perfume nos confunde. O fácil se perde naquele cheiro úmido de mato amassado. Cada passo da vida libera ainda mais o gosto de paz e harmonia efêmeras. Como são importantes as amizades.

E Tito respirava todo aquele sentimento e pensava alto misturando as fragrâncias.

“Como eu gosto de pensar que existe alguém olhando pelas frestas da janela que eu sinto às minhas costas. Quanta esperança isso pode trazer. Quantas frases a serem ditas se calam. Meu anjo amigo diz que é agora, mas é tão difícil não pensar. Carpe Diem – gritam alguns do que citamos. Porém, quem escuta é você, Bobby. Escuta, vive, mas também sofre. Como eu gosto de pensar que existe alguém olhando pelas frestas da janela.”

E ela repetia:

“Me too…”

E Bobby não estava mais lá.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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2 respostas para Me too…

  1. Alice Salles disse:

    Pois é. Tem alguém observando de longe, e isso faz com que a sensação de ter esse coração batendo forte pensando na gente ser a coisa boa de se estar ainda por aqui… Tito, Wonderland Girl está muito feliz de saber que isso existe aí.

  2. Felipe disse:

    Lindo texto, Wonderland Girl…
    mto bom! principalmente a sua parte heheheh

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