Delírios sem fim

 
 
Tito sonhou. Primeiro era perseguido por cachorros. O coração foi parar na boca. O medo, misturado com ligeiro desespero, levava a adrenalina a entrar em cena. Tito sonhava e corria num delírio de travesseiro. Porém, o que é etéreo muda rápido. Do cão se fez onça pintada, como numa tela surreal. Garras elásticas. Presas sedentas. Tito corria como Forrest. Pulava de árvore em árvore igual ao nagual que o Castañeda levou a conhecer. A onça o perseguia com ainda mais vontade. Quando o desejo o alcançou, deitou-se em seus braços. Aninhou-se à procura de carinho e se transformou em mulher. Beijou-o. Beijo de como se fosse amanhã. Louco. Solto. Pouco. Tito acordou.
 
Molhou o cabelo e colocou o uniforme. Era dia de futebol. “O que não significa que eu realmente jogue alguma coisa.” Correu. Suou. Tentou. Marcou três gols. Perdeu vinte um. Tirou a camisa e tomou cerveja. Copos, canecas, garrafas. O sábado tinha sol intenso. Delírios de um verão que permanece ao longe, observando o desfile do inverno e o aquecimento do outono.
 
Em casa, mais cerveja. Latinhas. Conversa boa com irmã. Delírios apaixonados em cada palavra de futuro. Mais sol. Pés descalços no gramado. Vento bom em toda árvore. Sorrisos verdes em cada som de tranqüilidade e fim de semana. Música. Cachorro do vizinho latindo baixo e Tito olhando para o céu. À procura de respostas, de verdades, de desenhos em nuvens. “A verdade está lá fora.”
 
Com um suspiro de saudade, foi ao jogo. Viu seu time vencer. Dois gols. “Perderam vinte e um.” Gritou. Torceu. Vibrou. Colocou para fora o que é ruim e foi para casa leve, feliz. Sorriu durante o caminho e mudou o curso. Parou para seus amigos e amigas. Conversou e riu do seu dia, dos gols perdidos, do formato das nuvens. Delírios de paz e harmonia. Algumas taças de vinho. Sangue etílico. Sono bom, fácil, necessário.
 
Tito sonhou. Primeiro era perseguido por cachorros. O coração foi parar na boca. O medo, misturado com ligeiro desespero, levava a adrenalina a entrar em cena. Tito sonhava e corria num delírio de travesseiro. Porém, o que é etéreo muda rápido. Do cão se fez onça pintada, como numa tela surreal. Garras elásticas. Presas sedentas. Tito corria como Forrest. Pulava de árvore em árvore igual ao nagual que o Castañeda levou a conhecer. A onça o perseguia com ainda mais vontade. Quando o desejo o alcançou, deitou-se em seus braços. Aninhou-se à procura de carinho e se transformou em mulher. Beijou-o. Beijo de como se fosse amanhã. Louco. Solto. Pouco. Tito acordou.
 
 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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2 respostas para Delírios sem fim

  1. Alice Salles disse:

    Ei, belezinha….Já deu o tempo do desejo alcançar…. e te fazer despertar…Beijinhos

  2. Felipe disse:

    só no delírio sem fim 

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