Texto Fim

 

 
Chega ao final minha trilogia dos textos. Com título de texto, voltei a escrever. Filosofei sobre a vida, sobre o caminho e sobre paixão. Minha vida, caminho e paixão. Há quem diga que falo demais sobre mim mesmo, ou melhor, escrevo demais sobre mim mesmo. Até pode ser verdade, mas faz parte do meu processo de busca. Não deixo de falar sobre o tempo, o céu ou o mar. Não deixo também de admirar a beleza das coisas.
E, nesse dia com céu cor de campo de margaridas, com brisa no rosto, com janela aberta e com paz e mansidão no suspirar, escrevo. Para quem bem entender, mas sei bem que meu texto tem uma pessoa especial para a qual se destinar. Sei também que essa pessoa não vai nem ao menos ler ou entender. Aliás, o fato dela não entender nada que eu lhe digo ou dos momentos em que reapareço não me faz sofrer. Apenas me desaponto com a ilusão que eu mesmo criei. Digo àquele lado meu que transpira esperança: “Releva, deixa de sonhar.” Este lado até obedece, mas Tito aparece com seu jeito exagerado e estraga tudo, num verdadeiro devaneio completo e bipolar evento de saudade. Abandono a sanidade por instantes e demonstro que a ilusão toma conta, que ainda há o bom sentimento, com muito mais maturidade e com muita coisa ainda por aprender. Dou um passo em frente no sentido de onde tudo começou. Respiro e telefono. A voz do outro lado da linha nunca sabe o que dizer. Claro, essa pessoa nunca vai entender, meu avô já dizia que tudo na vida segue. Sábio homem e herói.
Deixo por aqui meu suspiro de Felipe que discorre sem correr. Pressa não me serve ou agrada ou apetece. Sonhos encerram minha vida pensada, filosofada. Termino a trilogia dos três textos que se chamam Textos com o Texto Fim que continua, como não poderia deixar de ser, falando de mim. Do que sou feito e para onde vou, ainda resta dúvida. Predominam os questionamentos frente a tantas possibilidades e me parece que o esforço só é válido quando somado a um empurrão do universo para o correto. Finalizo, portanto, com a decisão tomada de não mais gastar energia boa em muros instransponíveis. Termino com sorriso e gosto de chocolate meio amargo na boca, para jamais esquecer que mesmo no que me toca o coração ainda existe a centelha de obscuro. Para não deixar de questionar e aprender. Para superar o medo de ser feliz e de viver.
Isso tudo porque um dia alguém especial me disse, você pode até me perguntar quem que não conto:
“Você não precisa ser mártir ou se sacrificar para ser feliz, para fazer o que é certo. Sinta tudo: o toque e a energia ao redor, pois é aí que reside a verdadeira felicidade. Ame e jure amor. Cumpra e viva com paixão, pois só assim, Felipe, é que a vida se completa. A solidão está no resto e acaba por não existir. Viver é ser feliz. Não há distinção clara entre os dois atos e não existe diferença entre a felicidade do bom e agradável da intensidade do desastre e da curiosidade. Ame, Felipe. Use seu nome. Siga esse caminho. Preocupe-se menos. Não deixe prar ser feliz, ou viver, só amanhã. Chega. Descansa agora.”
Descanso, portanto.
 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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3 respostas para Texto Fim

  1. Alice Salles disse:

    E ele aprendeu a se doar… a se doar a cada expiração enquanto o sol deixava o último raio dourar os seus cabelos… pelo menos até a manhã seguinte onde o encotraria mais ele, mais Felipe.

  2. mercedes disse:

    Seja quem for que te deu esse conselho, é sábio!E quantas vezes eu disse que ser feliz é tudo o que importa? Que bom que isso entrou nos teus ouvidos!Chega. Descansa agora.Beijos

  3. Felipe disse:

    esses comentários chegaram a fazer eco por aqui…

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