Mar do Mesmo

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Ao invés de mostrar para todo mundo o texto que eu gostaria de mostrar, vou fazer diferente. Vou escrever uma porcaria qualquer falando do mar, ok? Então, vamos lá.
 
Existe mar que parece verde e existe mar que parece azul. Na verdade, pessoal, a água toda é a mesma interconectada pela imensidão que rodeia os continentes. Tem gente que chama de oceano pra ficar mais garboso, mas no fundo quase ninguém olha para o Atlântico ou Pacífico ou Índico ou para os demais. As pessoas acabam olhando para o mar mesmo. Admirando sua beleza. Sentindo seu cheiro salgado de saudade. Observando o singelo massagear das ondas na areia da praia. Aliás, esse negócio de praia fazer ou não fazer parte do mar é uma questão controversa. Afinal, a praia é a faixa de areia que fica ali em volta, mas também é ela que mergulha louca como uma escafandrista sob todo o mar e seus nomes oceânicos. Então, de acordo com o conceito de Tito para o mar, a areia e a praia fazem parte. Aliás, areia é uma coisa incomodativa. No entanto, pode ser ainda mais bela que o tal do mar do mesmo ou ainda formar com ele o mais belo conjunto de harmonia e cor. Afinal, quem não conhece a praia do Ferrugem? Deveriam todos. Mas aqui nasce o grande ponto de discussão: qual o sentimento que o mar desperta em cada um? Eu acredito que só quem mora ou morou pertinho dele tem uma idéia clara, fixa e cristalina para tal resposta. Por exemplo, o Dorival Caymmi, grande poeta da simplicidade com suas canções nostálgicas de pescadores apaixonados por uma terra bonita, conseguia, com o tom singelo de uma “jangada saindo para o mar”, trazer nas costas um “peixe bom” e muito sentimento. “Trabalhava pelo bem querer”, como ele mesmo gostava de cantar. E, em sua poesia, o pescador não esquecia jamais de respeitar a Imensidão Azul que já deu nome para filmes, mas esse é outro artista. O que quero dizer é que o mar encerra mistérios e paixões melancólicas e ufanistas de paz e solidão, “maldade e ilusão”. E escrevo isso pensando naqueles dias em que meus pensamentos se perdem procurando o fim da linha do horizonte, com o vento gelado de sal no rosto e sol quente que queima na pele. Ah, e quem nunca amou à beira-mar? Quem nunca rolou na faixa de areia chamada praia e depois olhou para o mar que, só então, pode ser chamado de oceano, e fez o pedido pela eternidade dos momentos bons. Eu já, com apenas uma pessoa, mas espero que se repita. Não vem ao caso, não vem ao texto de mar. Prefiro discorrer da fauna marinha, sobre os assim denominados frutos do mar. Mas cabe aí outra pergunta: o amor é, não ou sim, um fruto do mar? Eu acredito nisso e muito mais. Acredito no pouco que vi do oceano. No muito que ouvi das boas ondas. No som dos meus passos sobre a areia macia com cor de ferrugem gostosa. Nos abraços e beijos trocados com pés molhados. Nas promessas feitas em nome do mar. Mar do mesmo. Mar de mim mesmo.
 
 
 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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3 respostas para Mar do Mesmo

  1. mercedes disse:

    "O amor é ou não um fruto do mar?"Que lindo! Adorei. O último parágrafo é mais adorável do que todo o resto.E quanto a "porcaria qualquer falando do mar"…ha! Você não conseguiu! hhahahhahaTem porcaria nenhum aí.Beijo

  2. Bruna disse:

    Nós esperamos pela maré cheia! É água no mar, é maré cheia…

  3. Marcos Alfred disse:

    O senhor, tal qual o mar, está inundado de razão.
    Misturando tragédia e consolo, digo o que já disseram, mas que não me custa repetir:
    Curitiba não tem mar, mas tem bar.
    Ah!! Vou ligar pro ‘Human Rights Watch’ e fazer uma denúncia:
    Não nasci em Salvador! Pobre de mim. Pobre do senhor.

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