Quando escrevo silêncio

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Passou os dedos por sobre o teclado. Com suavidade, sem apertar tecla alguma. Precisava escrever, desabafar e dizer ao papel tudo que não pode contar para quem não conta.
 
Da realidade fez a tristeza pálida do dia fraco. Da palidez fez motivo de viver. Parou de buscar sentido no que escrevia. Como numa boa imagem que diz por si mesma qual sentimento se deve despertar em cada ser humano adormecido, adormeceu.
 
Fez, do espelho, morada. Desistiu de beijo, amor ou namorada. Foi contente escrever por nada. Com preguiça de tudo e de si mesmo.
 
Correu os dedos mais um pouco. Não alcançou, mas chegou a lugar nenhum. Como sempre, ficou quieto. Guardou para si e deixou a melancolia tomar sua bebida.
 
Silêncio.
 
Suspirou incrédulo. Aspirou a, ao pó, voltar qual som. Suspirou sua última frase enferma com os lábios secos de desejo desconhecido.

 

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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