Primeiros passos

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Decidir é preciso. Não há segredo ou vontade que possa omitir o peso da decisão. É como dar o primeiro passo ou tentar vários passos de uma só vez. Feito louco, alucinado. Um entusiasta da vida. Afinal, decidir requer planos. Pisar ou não pisar. Andar ou não ficar parado. Alguma coisa com gosto, cheiro e sabor de desafio novo. Há de se chegar a algum lugar. Porém, indubitável surge a necessidade de decisão. Como investir. Como trabalhar. Como comer. Como andar? Passo a passo. Passo por passo. Compassado. Pleno e perdido num encontrar em si mesmo.
 
Tito escreveu desconexo. Arrependido dos erros da vida e se cobrando até o limite do infinito paralelo a sua vida. Com o brilho do eterno que Nietzsche disse que bilha em certos olhares, procurou não ter tema. Optou pela falta de sentido e sobra de sentimento. Serenidade aparente na superfície de um lago agitado pelo peso da vida.
 
Movimentos do mundo.
 
Com cheiro de chuva que vai e vem agitada. Chuva de verão, assim já o chamaram. Não há tempo, nem letras, para referências como estas nesse texto que é o mais irascível, uma vez que trata de decidir. Não há como escapar. Pular? Talvez. Só que Tito com o brilho de eternidade todo no olhar, segue em frente.
 
Escreve.
 
“Passo por passo. Os primeiros do dia, sonolentos passos. Direito. Esquerdo. Passo perfeito. Passo a bola. Preso ao compasso da rotina, penso. Respiro pesado e espaçado. Esperto ao redor e pareço parado. Porém, permaneço, passo por passo, passando. Pena não possuir prática para escrever. Permeio meus próprios poemas. Percebo a paisagem percorrida para pular poucas palavras para o papel. Puro perfume, página por página. Passo por passo.”

 

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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Uma resposta para Primeiros passos

  1. Marcos Alfred disse:

    Maldito livre arbítrio!
    Maldita rotina!
    Acho que é tudo culpa desse cara aí mesmo, o Friedrich, que matou Deus.
    Se não matou, ao menos deu uma boa atordoada, até porque, segundo ele mesmo, ninguém mais morre hoje de verdades mortais… Há antídotos em demasia.
    Abraço!

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