Nosso sábado há de chegar

ranch
 
Hoje é impossível. Porém, é possível dizer que você me conhece mais, muito mais, que gentes e gentes que vivem a minha volta. Claro, que esse povo todo não sabe mais que o Sr. Francisco, cujo verdadeiro nome é Simone da cafeteria do andar de baixo do meu trabalho. E, como acontece na maioria dos nossos casos, você acertou: é um expresso médio com pouco açúcar e um pão integral. Tudo bem, você errou no pão. Gostei mesmo assim. Gostei de saber o quanto uma pessoa, na qual eu penso muito, também pensa em mim com preocupação e carinho. Sinto seu carinho de longe agora mesmo e, vou dizer com sinceridade, isso tudo torna o fato de você ter namorado ainda pior.
 
Ok, vamos supor. Imagina aí um mundo paralelo desses. Não daqueles com cobras, lagartos, doendes e elfos. Um mundo desses onde as pessoas realmente são felizes. Com a realidade paralela posta na cabeça, imagina só você sem namorado. Na minha cabeça, eu arrasto sua falta de vontade de sair na sexta de 18 climas diferentes de Curitiba. Você ajeita o cabelo rapidinho e aceita. Quando aparece, eu abro a porta do carro pra você. Mesmo no mundo paralelo não é um grande carro, mas é alguma coisa que anda e tem porta. Duas até.
 
Durante toda a noite eu sorrio o meu melhor sorriso só para você. Mesmo sabendo das nossas diferenças. Mesmo sabendo que você escreve com fontes e cores diferentes das minhas. Mesmo sabendo que você é mais feliz que eu. Mesmo sabendo que o espaçamento entre nossas linhas é diferentes. Mesmo sabendo desse quase nada que é nosso existir, bebemos. Eu na cerveja. Você na vodka. Nós dois felizes e sorrindo de um jeito que chega a ser patético pra quem está de fora. É difícil saber o porquê ou precisar razão.
 
Conquanto, nos encontramos no nosso mundo de verdade. Nesse mesmo mundo onde o Zé Dirçóca diz que o mensalão é ficção e onde o molusco é reeleito. Nesse mundo em que tem feriado no dia em que a bolsa pode subir. Nesse mundo em que se briga e mata por religião e petróleo e em que se polui a água que se bebe até que só sobre pó, catarro e desavença.
 
Nesse nosso mundo, tenho que confessar. Hoje é impossível. Eu sei que é. Não adianta negarmos. Mas amanhã é sábado.

 

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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