Pensamentos nem tão soltos

 (muito texto, pouca foto)
 
 
There will be blood
 
Além de ser um dos melhores títulos de filme que vi nos últimos tempos, eu acho fantástico como a raiva, o ódio e o desprezo podem render excelentes temas cinematográficos. Particularmente, acho que para a vida esse negócio de odiar muito não rende bons frutos e tende a acabar em desperdício de energia. Aliás, o seu antônimo sentimental, o tal do amor, também deve ser praticado em moderação.
 
 
Mas… assim… tudo que é demais faz mal?
 
Ok, ok. Eu sei que falo isso da boca pra fora, afinal de contas, sou daquele tipo de sujeito que acaba em intensidade. E, veja bem, não é nem uma questão de gostar. Trata-se de uma coisa incontrolável que me leva a existir desta maneira ou simplesmente ficar dormindo em casa vendo DVDs girarem no aparelho enquanto eu coloco a produção em série de pães com queijo derretido em ação em parceria com minha sanduicheira velha.
 
 
Daí é que me vem o mito da carverna?
 
Não. Não aquele mito é outra coisa e minha casa não tem infiltração. E o mito da caverna fala mais de sair da caverna do que ficar na caverna propriamente. Então, eu escolho ficar na caverna pra conhecer mais de mim mesmo. Escolho isso no lugar de correr pro mundo e sair conhecendo tão profundamente os outros. Apesar do auto-conhecimento seja um jeito de sair da caverna… enfim.
 
 
Blá-blá-blá
 
Exagerei, confesso que exagerei. Vamos às banalidades de uma vez por todas. Afinal nada melhor que uma banalidade para que todos os problemas pareçam pequenos demais. Só quando nos libertamos da seriedade é que conseguimos levar a sério a rotina. Sempre procuro alguém que eu possa falar sem filtro pelo menos uma vez por dia pra tudo fazer um pouco mais de sentido.
 
 
Duvido que você consegue ser piegas – o diálogo.
 
– Não quero te cortar.
– Não mesmo?
– Não, tô falando. E não é verdade, não necessariamente pelo menos, que as coisas estão tão erradas.
– E seu carro?
– Meu carro é um equívoco sobre rodas.
– E as coisas para pensar?
– São muitas, mas não posso ficar usando isso como desculpas. Você também tem as suas e não faz assim comigo. Veja que esse é meu jeito discreto de pedir desculpas.
– Então, deixa eu aproveitar. Porque, partir o coração, você parte de qualquer uma mesmo, mas pedir desculpas só…
– É, só pra quem importa. Eu nunca neguei que não sou de sair pedindo desculpas por aí.
– Porra, agora sim tô me sentindo lisonjeada.
– Não exagera vai. Aproveita o momento.
– Então capricha…
 
 
Definitivamente piegas, mas com patadas
 
– Ok, vamos lá. Ando meio triste e, quando fico assim e não encontro porto seguro, saio dando patadas em todo mundo mesmo. Todo o carinho que não encontro me deixa mais frustrado com o mundo, sabe? E isso acontece porque sempre acabo gostando demais de quem não devo ou esquecendo de esquecer as pessoas que deveriam ser esquecidas, sabe?
– Todo mundo já passou por isso, criatura. Só isso não justifica o jeito que você falou comigo. Eu estava toda animada pra te contar da banda.
 
 
Piegas e curioso
 
– Qual banda?
– Agora não importa mais. Continua pedindo desculpas, vai.
 
 
É sempre mais fácil culpar alguma coisa… ou alguém
 
– Então, culpa da solidão. É palpável e parece que tudo que eu tenho, fora o que realmente posso fazer sozinho, é vazio. Não posso contar pra ninguém, nem com ninguém de verdade e olha que tem dias que só um abraço bastava ou um pedaço de colo em silêncio.
– Não precisa nem de sorrisos?
– Nem lágrimas.
– E essas aí?
– São só minhas também.
– Egoísta.
– Quê?
– Parece que você quer sempre afastar as pessoas de você. Não precisa pedir pra que fiquem por perto, mas deixa estar. Pára de fazer parecer que você quer que deixem você em paz.
 
 
Tempo para a metalinguagem
 
– Tenho que parar essa conversa, antes que alguém leia. Viu como você destruiu meus mecanismos de defesa, agora vai ter que agüentar esse cara chato falando com você.
– Prefiro esse cara de olhar distante. Esse é o cara que eu adoro. O cara que me faz falta e que me indica filmes. Esse aí é que me faz assistir uma cena e pensar “ahhh… desse ele deve gostar”. Pra mim, esse é você. Não o outro das últimas semanas, das últimas conversas. Não, esse outro me fez pensar em desistir de você.
 
 
O drama
 
– Quem sabe eu seja esse outro que as pessoas preferem desistir mesmo.
– Acho que não.
– Por quê?
– Porque, nunca desisto e continuo sentindo falta e continua sendo indispensável e continua me fazendo pensar “ahhh… eu tenho que falar esse trecho desse livro pra ele” e continua aqui por perto pra quando quiser parar de me afastar e pra quando quiser chegar perto.
– Queria que existisse mais uma de você no mundo. E, sem namorado, dessa vez.
– Você não suportaria duas de gênio tão ruim bravinhas com você.
– Você faz muita diferença na minha vida.
– Só não vai começar a dizer que você queria poder ter alguém pra fazer chorar só pra você, vai?
– Não vou dizer isso, mas queria que fizesse diferença pra pessoa se estou feliz ou não.
– Queria poder chegar perto e deitar no colo em dias como hoje até que isso fosse tanto que seus problemas ficassem pequenos demais para se preocupar?
 
 
Tudo que se resume, não se explica
 
– Resumindo a história, sim.
– É, ajuda a agüentar as derrotas e as vitórias também.
– Que bom que você entende. Entende também que eu tenho preguiça de procurar?
– Você faz diferença pra mim e, se eu soubesse dessas coisas todas, tinha deixado claro que eu estava chateada antes e tinha tirado antes essa sensação de impotência diante de você distante.
– Tem alguma coisa especial em você que faz isso.
– E eu acho que você tem um sensor pra saber quando eu tô realmente triste.
– É que eu adoro você e nem sei o porquê.
– Eu também… e sei por que.
 
 
É… There will be love but only if we don’t think twice.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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4 respostas para Pensamentos nem tão soltos

  1. Flavia disse:

    ai, eu adoro tudo o que vc escreve!!!
    como se pode sentir tanta saudades de quem não se conhece?
     
    adoro!

  2. Ma disse:

    Parece que fazer as pazes, claro, logo após o "brigar".. é o que esses seus personagens fazem de melhor, não é?
    🙂
    Beijos!!

  3. Mell disse:

    Gosto do que escreve e de como escreve, me identifico com teu jeito de se expressar.
    Aliás, tu parece um tanto qto irreal pros dias de hj, fico bem em saber que ainda exista
    quem pense com o coração.
    Espero podermos ser amigos, quem sabe um dia nos falar.
    Te cuida…
    Beijo pra ti
     
    Mercya
     

  4. Mell disse:

    Novamente estou aqui, lendo-te e gosto.
    Percebi que vc esteve em meu space uma ou duas vezes.
    Bom…já percebi que não gosta mto de papo, é que eu realmente falo
    demais…
     
    Sucesso sempre!!!
     

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