Eu só escrevo do brilho do olhar

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Hoje, logo depois do segundo café, decidi viver o que esse sentimento me oferece na prática e no brilho do olhar. Sem expectativa ou ansiedade. Sem a loucura do palpável. Se eu encontrar um motivo para sorrir na ilusão de olhares confusos, escolho que me basta e que me serve. Decido suspirar e pensar menos no que é passível de fazer ou não sentido na realidade de minhas novas realizações.
Se o meu mundo insistir em me surpreender com fisgadas na perna e frios insanos na barriga, é de passo em passo, dia em dia e olhar em olhar que viverei. Será de minha paixão desvairada. De minhas imperfeições inventadas com base nas sugestões e piscadelas do destino. De flores, pétalas e pedras, pedradas e pedregulhos do meu caminho. De curvas de quarenta e cinco e de noventa graus. De guinadas de cento e oitenta. Tudo isso até que o universo gire em trezentos e sessenta e me leve de volta pra você e para nosso brilho disfarçado de olhar.
Com a insegurança e com a incerteza, saberei lidar. Viajarei em imagens que só me aparecem em sonhos de noites de outono inverno, pois se estendem por esses dias nosso tempo. Semanas em que a esperança carrega meus pensamentos e conduz meus olhares com o tal do brilho. Espanto do peito a enfermidade da solidão do tempo. Isso porque há menos tristeza para quem escolhe o caminho do clarão do vermelho e bordô com pantone que passa o cento e oitenta e seis de letra cê.
Minhas letras e palavras disfarçadas pouco importam também. Não há paz. Minha intensidade de viver não combina com muito branco ou com cinza. Deixo chover e murmuro “eu também” entre meus lábios para mensagens ocultas que faço de conta que enxergo. Tudo imaginado, louco e desvairado. Entre um suspiro e outro. Entre as borboletas que me rodeiam. Entre sonhos que ainda são só meus. Entre minhas idéias de fábulas. Entre as morais de minhas parábolas tortas e atormentadas pela ironia dos clichês. Entre um brilho e outro do olhar que é só meu para você.
 
 

 

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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4 respostas para Eu só escrevo do brilho do olhar

  1. Ma disse:

    Sr. Felipe, o segundo café costuma ser sempre revelador mesmo.. alguma coisa cabalística :-p
     
    O destino não se manifesta sem ironia.. já diria o sábio Morpheu em alguma passagem de Matrix (meu sempre impressionante baú de citações… hahaha).. talvez aí também se incluam os clichês…
    Se precisava de um comentário meu sobre seu texto.. aí está… sempre "literário" e merecedor de um cappuccino e  Magic in the Air de música de fundo..
    Beijos!

  2. Marcos Alfred disse:

    Nobilíssimo
    Felipão!

    Particularmente,
    não acredito muito no segundo café. Parece-me tanto quanto paradoxal. Sugiro
    esperar pelo terceiro café para ter certeza.

    Sobre os
    frios insanos na barriga, posso dizer que já tive disso também. Mas nada que em
    dois ou três dias não esteja saindo em pedaços novamente.

    De qualquer
    forma, a fim de evitar estes contratempos, sugiro não misturar caracu com
    chocolate ou chopp quente com rollmops (experiência própria).

    Deixando as
    asneiras sem sentido de lado, digo que o texto ficou muito bom, cara.

    Bom
    feriado, e boa sorte em SP!

    Abraço!

  3. Luiz Roberto disse:

     
    Não sei, fico mais no primeiro café quando tudo tem mais cheiro. Começa pelo próprio do café que enche o corredor dizendo que tem gente boa por perto. Cheiro de cabelo molhado, pele de manteiga em pão de queijo fresco. O brilho é mais próximo fazendo o silêncio encher a alma.
     
    O segundo café sim, como você apontou, ele trás as viagens e imagens dos sonhos, do presente e da entrega que ficou.
     
    Bom texto Camarada!

  4. Karina disse:

    Depois de um tempo, sinto interesse em ler, tomara que chegue o de escrever.
    Adorei seu texto!

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