About the emptiness

“That a empty heart means a empty life
Yeah an empty heart like a empty life
Oh, it makes you feel like you wanna die
Like you wanna die
Like you wanna die”
The Rolling Stones
Nos últimos intervalos de tempo, vulgarmente chamados de semanas e dias, tenho pensado muito nas letras das músicas de verdade. Uma ou outra se sobressai em minhas idéias e entre essas, tem sempre uns pedaços que chamam mais a atenção. Nos últimos tempos é uma frase de uma música dos Stones que gosto muito. Nesta, o Jagger – e o Richards também – é categórico: “an empty heart like an empty life”.
Com essa afirmação em meio a minha enxurrada de pensamentos e neuroses, decidi que era tempo de tecer um relicário de considerações a respeito da falta, da ausência, do vazio e do nada.
Recentemente, em meio a uma conversa de boteco a respeito da ordem natural das coisas, eu e amigos e amigas discutimos a questão de forma entusiasmada. Chegamos à conclusão que de todos os 7 que ali se faziam presentes, 4 deles – incluindo eu mesmo nessa massaroca de gente – não tinha nada no coração. Ah! Também definimos parâmetros claros para isso: “empty heart” é aquele que não se encontra ocupado por amor ou paixão por outra pessoa pela qual se pode nutrir desejos sexuais.
Veja, decidimos isso, porque sempre tem um desagradável – eu no caso – que questiona sobre o amor à família e aos amigos e ao mundo e essas coisas. Enfim, estabelecemos que essa forma de amor não conta.
Então, com os fatos sobre a mesa, chegamos à conclusão que 3 pessoas estavam solteiras e não-apaixonadas, portanto, com o coração vazio. Uma delas estava em um relacionamento, fato que não impedia que o vazio de sentimento tomasse conta do pobre da víscera metafórica. Das outras criaturas, duas estavam em relacionamentos “agradáveis”, por assim dizer para não entrar em detalhes. E uma delas nutria uma forma de paixão platônica pela A. J. Cook – coisa que compreendo perfeitamente. Diria até que, se não fosse pelo moderador geográfico e pelo simples fato que indica que ela não faz nem idéia que eu existo, também alimentaria esse tipo de paixão nada saudável.
Enfim, concluímos então que, puta-que-o-pariu à parte, corações podem estar vazios sim. E isso também significa que ele não está partido e, no momento, nem mesmo arranhadinho. Porra, não tem nada lá dentro, não tem como ter mágoa. Magoou, gostou e se fodeu é porque ocupou o tal do vazio. Ponto dois estabelecido.
Partimos, dessa parte, para a discussão a respeito das implicações da emptiness.
– O fato é que buscamos um motivo ou coisa ou pessoa ou tudo junto para levantar sorrindo de manhã – afirmou um dos sete que não eu.
– Eu nunca acordo sorrindo de manhã e se um dia eu fizer isso, a pobre da mulher que case comigo, porque ninguém será capaz de oferecer melhor prova de amor.
Concordamos que o vazio traz consigo um tanto de insensibilidade em relação aos fatos da vida. Essa insensibilidade vai levando pra longe as bobagens – bonitinhas ou não – que praticamos por amor. Ficamos mais sagazes e menos idiotas. Porém, perdemos um quê de intensidade nessas mudanças. Nos vão os dedos junto com os anéis, focamos na carreira e arrumamos mais de um emprego. Se não temos mais de um emprego, arrumamos cursos malucos, pós-graduações sobre coisas que não entendemos nada, mestrados sem fim, doutorados cheios de gente estranha. Esse tipo de coisas de gente que foge da vida.
– Eu compro DVDs. Gosto das séries pela continuidade. Fico amigo dos personagens e esqueço da vida. Eu, meus sandubas, meu edredom azul e meus travesseiros.
Concluímos que temos que nos apoiar nas próprias pernas para sorrir de verdade. Depois de mais umas cervejas, concluímos também que isso é bobagem e que ter alguém pra gostar e gozar faz a vida ficar menos insuportável sim. Facilita o riso sim. Empty heart é a praga desse século e dos que passaram e dos que estão pela frente. Nenhuma doença é capaz de matar de forma tão sufocante e “torturisticamente” lenta. Quem está contaminado pelo difamado vazio entende bem do que eu falo. Tem pessoas aparentemente imunes a essa merda, tipo aquelas que saem de um relacionamento e pulam pra outro com a facilidade que trocam de celular. Esses não sofrem e uma das pessoas do bar admitiu se enquadrar nesse difamado grupo de pessoas.
Nós, os exigentes-sem-noção, continuamos nesse mar de solidão que consome nosso tempo na terra. Gastamos horas no bar, discutindo sobre nossa falta de amor por pessoas sexualmente compatíveis e nos lamentando pela falta de cumplicidade que a banalização das coisas traz consigo. O resultado é sempre o mesmo: o silêncio da casa, os passos no escuro e os resmungos ao léu. Essa nossa falta do que fugimos e do que não abrimos espaço ou tempo para ter nessa existência nos consome. Tudo se esvai e vai. And we can’t get what we want. Sinto informar que os Stones acertaram… de novo.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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2 respostas para About the emptiness

  1. Marcos Alfred disse:

    Ah!
    Conversas de bar!

    Sempre válidas,
    mesmo quando inválidas…

    Fazem bem
    pra pele, muito embora o fígado costume reclamar um pouco.

     

    Como muito
    bem já disse um cara relativamente perspicaz:

    "O que
    é tudo, e o que é nada? Nada á a ausência de tudo, e tudo a ausência de
    nada"

    Acrescentaria,
    dadas as circunstâncias um “e vice-versa”.

     

    Abraço!

  2. Ma disse:

    But if you try sometimes.. You just might find you get what you need…Yeah.. with "jeitinho" =P

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