Aos amigos que jamais perdemos

 

 
 
 
“…em meio às surpresas dos sonhos, o fim do sossego…”
Tito
 
 
Entre a falta de perfeição dos dias, chegam os finais de semana. Eles me vêm trazendo as novidades dos sabores da vida. Em meio às minhas neuroses e desejos – tantos desejos – encontro sempre um espaço para deflagrar a energia que armazeno no bolso e no coração para tão esperados dias.
Entre os que melhor recordo, sempre estão os últimos e aquele particular no qual me reapareceram amigos. Reencontrá-los é como achar uma nota de cem perdida ou que nunca existiu no bolso da jaqueta de inverno. E eles sempre voltam, os de verdade sempre voltam.
Então, a música começa a tocar e a festa continua como se nunca tivesse parado, como se não houvesse nenhum minuto da vida entre o último encontro e a última cerveja e essa que se faz presente.
Foi assim que os reencontrei. Com o mesmo espírito, com a mesma vontade e sede de sempre. Rimos das coisas tristes e declaramos o quanto a vida afasta. Mas ela une também, fiz questão de frisar. Também disse que nada, nem mesmo a tal da vida, leva embora o que nasce em amizade. As recordações permanecem. Aquilo que se compõe do mais intenso da existência não se desfaz, meus amigos.
E assim se foi a sexta, entre abraços e canções. Entre um chope ou vodka, traga mais garçom, nessa mesma mesa, nesse lugar daquela rua estreita que tanta vida acumula na forma de bares. Andar por seus paralelepípedos da entrada e de saída me recordam da Curitiba que já foi declarada perdida, mas que reencontro em amizades.
O sábado também veio, mais amigos com eles. Feijoada de tarde. Família e aniversários quando o sol se põe. No inverno da noite, o Largo da Ordem por perto, mais paralelepípedos. Esse lado mais antigo da cidade traz mais recordações, conversas e abraços de como se fosse ontem. Não passa mais o tempo, nem os dias sem que eu diga a importância de todos.
Acredito que sempre ando tangenciando essas rodas todas de pessoas tão importantes. Jamais fui elo em nenhuma. Já me ressenti por essa minha incapacidade. Porém, hoje aceito e agradeço com o sorriso da pouca maturidade que conquistei na raça.
O fato de observá-los de fora me permite gostá-los ainda mais. Eles me acolhem e aceitam, mesmo sabendo – como eu sei – das minhas características de estranho nessa terra de rotinas de suas sinucas e de suas casas.
Sou da terra do meu próprio lar. Sou do tempo do de vez em quando. Sou assim e gosto das minhas decisões mal planejadas. Eu me aprendi, descobri um pouco mais de mim mesmo nesses anos. Eles, como amigos que são, aceitam. Não são as ligações nos aniversários que jamais lembro ou as partidas de futebol que sempre desmarco ou as viagens para perto em que perco o celular que me definem como amigo, ainda bem.
Eles sabem e, com o conhecimento dessa verdade, chegam as surpresas. E, em meio às surpresas dos sonhos, o fim do sossego. Música. Cerveja. Bar. Abraços. Sorrisos. Amigos. Meus amigos, vamos para a festa para comemorar nosso eterno reencontro.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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2 respostas para Aos amigos que jamais perdemos

  1. Marcos Alfred disse:

    Grande Belão!Ah!! Os porretes sem grandes pretensões são os melhores…Horas marcadas, grandes preparações ou encontros de rotina tendem a ofuscar o brilho sincero da galhofa nossa de cada dia.Ponto pro de vez em quando.Abraço!

  2. Ma disse:

    é como o poeta diz…"A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida….".. ah.. e ele também fala sobre a importância do uísque (insira aqui a combinação etílica que melhor lhe agrada parar chamar de ‘cachorro engarrafado’.. ta.. ta.. eu sei que você não gosta muito de cachorro… Hum.. to sendo prolixa de novo? Dammmmiiiiitttttt.. hahaha)… enfim… amigos e grandes porres são as lembranças que ficam.. bem.. em alguns casos a falta de lembrança.. mas…enfim… ahhh… estou sendo imprecisa de novo? Daaaammmmiiiitttt.. =p:-)

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