Há algo de insano no reino de nossas cartas

 
 
Cara amiga,
 
Não lhe chamo mais de estranha, pois as letras aproximam a ponto de não nos desconhecermos mais. A informação pertinente a respeito do apreço etílico também nos conduz a uma linha de pensamento para lá de ousada em termos de intimidade, ou seja, dessas coisas que importam de verdade, já sabemos.
 
Ainda assim, penso muito – até demais – que o jazz tem peso ainda maior. Só que isso não é assunto leviano qualquer para abordarmos em parágrafos curtos de cartas que poucos lêem. Guardemos, portanto, para a pessoalidade.
 
No mais, sinto que há algo de insano no reino de nossas cartas. Ou no texto. Texto. Carta. Reino. Enfim, deu pra notar que você não é daquelas pessoas chamadas de “normais” pela imensa maioria equivocada, mesma maioria que aprova o governo barbado. É engraçado que essa excentricidade nos aproxime ainda que não-geograficamente. Geralmente, essa é uma característica que me leva a não me achar em meio a esse bolo de coisas que não entendo no pensamento alheio e que leva os que me cercam a não me olharem com lá muita simpatia.
 
E, já que comecei a cartear a respeito, devo insistir que a insanidade e a falta de normalidade é um negócio interessante de conviver com. É como se eu tivesse que fazer de conta em vários momentos pelo meu bem e dos outros. Meu bem, eu digo, no sentido de manter emprego e coisas do gênero. E quanto ao bem dos outros, não me refiro a nada que ultrapasse o limite das leis – não sou psicopata, sociopata ou qualquer desses tipos de patas – mas simplesmente para eu não sair dando uma de Zaratustra ou de narrador da jornada do último cavalheiro do apocalipse.
 
Ainda assim, sou exagerado confesso. Apaixonado declarado por essas letrinhas que insisto em juntar. Crônicas, cartas, livros, contos, bobagens e parangolés. Escrevo ao mesmo tempo ou já tentei escrever em vida, sono, princípio ou desejo. Sou desses. Não há jeito. E, como diria o velho Buk, é um troço que nasce com você.
 
Respondo, portanto, sem outra escolha. As letras me convidam e, se as minhas chamaram as suas, tanto melhor.
 
Tito.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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5 respostas para Há algo de insano no reino de nossas cartas

  1. Janaina disse:

    Costumo ler, mas não comentar. Mas só para que saiba que alguém passou por aqui e que seus textos foram lidos!

  2. Sylvia disse:

    Devidamente respondido…http://estevesemeta-fisica.blogspot.com/(nenhuma propaganda..rs)

  3. Camilla disse:

    no meu caso as letras não chegam nem a convidar, elas me obrigam mesmo. rsrsvou te linkar no meu blog, ok?

  4. Flavia disse:

    melisso!sempre adorei a expressão "tanto melhor".ando sentindo saudade e planejando uma breve ida a crtb…será que a gente se acha?beijo grande!

  5. Ariane Guti disse:

    Genial.

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