Como eu virei um cara sério e chato: um compêndio de descontentamentos


Vou começar pelos questionamentos metafísicos do poeta da
página em branco (e do blog vazio). Eu abandonei momentaneamente e por um
severo bloqueio criativo uma das coisas que mais gosto de fazer: colocar idéias
soltas no papel. Aparentemente, perdi tato ou noção de paladar literário
também. Tenho lido pouco. Os trocentos livros mensais foram reduzidos a
períodos esporádicos de mergulho em autores profundos o suficiente para não me
permitir levantar por dias, horas ou segundos.

O que importa é a intensidade, dizem. Dizem muita bobagem, o
fato é esse. Aliás, falamos demais. Sonhamos demais e esperamos que o troço
meio que caia no meio da estrada e que de preferência tenhamos um carro com teto
solar para nem precisarmos estacionar ou nos abaixar pra pegar o troço no meio
do caminho. O problema é que sempre preferi andar. A pé percorro minhas
distâncias e meu pensamento vai junto meio que perdido e clamando: “escreve,
vai, qualquer coisa.” Descalço, o que é pior e bem mais cheio de vida.

E passam os dias. Meu olhar vai ao infinito, encontra o
horizonte e de lá volta mais triste. Uma reação simples e inevitável. Há quem
diga que me escondo em minha própria caverna, ou melhor, que sou um daqueles
mexicanos com o maior chapéu do mundo e que fico lá dentro e só saio para
cumprir meu papel social. Pronto. Acabou o texto de volta. Assim, simples e
inevitável, com mais da metade da página em branco.

O que importa é a intensidade, dizem. O fato é que dizem
muita bobagem.


Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em Não categorizado. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Como eu virei um cara sério e chato: um compêndio de descontentamentos

  1. Camilla disse:

    eu tava assim ultimamente, escrevia vários começos de textos e não conseguia terminar nenhum. nada parecia bom. nada parecia nada. me disseram que não podemos forçar, que é preciso esperar, porque às vezes essa não é a hora das palavras sairem e só. logo você volta a deixar a outra metade da folha cheia.

  2. Anna Paula disse:

    crescer é ruim, os adultos geralmente são chatos e cinzentos… mas acho que é a vida!"O fato é que dizem muita bobagem."=*

  3. Leila disse:

    ahhhh teacher! aquele ali é você? que marotiiiiinho :}mas então, mexicano não sei se você é, mas o sombreiro tá ai na sua cabeça te empedindo de ver os novos e belos horiztes que a vida pode proporcionar! levanta a aba, deixa o sol pegar no seu rosto, aposto que belas historias ou simples ideias vao acabar por surgir :*

  4. Fernanda disse:

    super fã reativar!só senti falta das aventuras atuais de Tito…Beijos

  5. Camila disse:

    Quem diria heim que além de Publicitário, Professor e Escritor um dia vc foi CANTOR…rsrsrs..

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s