Pré-carnaval de Curitiba

(foto do Julio Garrido que achei neste blog)

Albert ou Alberto já disse: “A imaginação é mais importante que o conhecimento.” Então, por que diabos desistimos de imaginar e mergulhamos na rotina? Quando linhas são desenhadas no chão e pontos finais são lançados na cara do destino, é hora de olhar e buscar o extraordinário.

Foi com esse pensamento em mãos que a menina atravessou a rua. Tinha sonhos desenhados à caneta azul no allstars rosa. Era de pisar forte, de bater de frente e de falar o que pensa. Parecia a heroína Diana da Caverna do Dragão, afinal era morena, linda, durona e tinha uma amiga Sheila que sumia de tempos em tempos. “Quem não tem?”

Ela chegou ao local combinado com a mandíbula doendo de tanta ansiedade e tratou logo de dar oi pra um povo ainda mais descolado que ela. Eles tinham cabelos estranhos e coletes. Ela gostava das pessoas esquisitas. “Quanto mais, melhor.” Depois foi pra outra rodinha e soltou um palavrão ao encontrar a tal da Sheila (palavrão suprimido por auto-censura do autor).

– (puta-que-piii), você disse que preferia ficar em casa!

Conversa rápida, ela vira as costas. É do tipo que gosta de imaginar que a vida nada mais é que um jogo de vídeo-game e que temos que correr de um ponto para outro e parar é a morte, as vidas são curtas e a diversão está em voar com a certeza da habilidade das mãos no controle. Entendia aquela cena bem louca do filme A Praia como ninguém.

Logo, a Kombi velha e o som dos Garibaldis e Sacis. Aquele espaço mais democrático da cidade onde cachorros, mendigos, patricinhas, roqueiros, descolados e ripongos(as) se abraçavam sem a menor sombra de confusão. Ela “colou” em outro grupo. Havia uma garrafa de plástico de uma tal de Fontana.

– Que merd(piiii) é essa?

– É tipo um fermentado de maça. Ah… não sei direito.

Tinha gosto de vinho mais do que barato sabor não-uva. Deu dois goles. E mudou de fase. Partiu pra outro grupo e chegou ao bar mais do que brasileiro. Mais gente diferente. Um cara com a barba do Gandalf, uma senhora vestida para um carnaval de outrora. Uma cerveja apareceu em sua mão e ela não ia dirigir mesmo. “Lindo!” E a Diana que todos viram por lá pulava em meio a tanta gente. A multidão a conhecia e ela a cada um dedicava seus olhos carinhosos e festeiros de ajudante de Dionísio. Uma visita hedonista e contagiante que só acontece em Curitiba, a capital do anti-carnaval.

Domingo que vem, ela vai de pirulito.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em arte, brincadeira, carnaval, chuva, ficção, intensidade, loucura, música, respeito, tudo brincadeira, viver. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Pré-carnaval de Curitiba

  1. Silvia disse:

    Eu nunca fui. é legal?

  2. Belão disse:

    Opa… se é, Silvia…

  3. Taranta disse:

    nao vejo a hora do proximo domingo chegar hehe

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