Seguimos sem resposta

Não busco respostas, busco caminhos. Quando dou um passo, penso enquanto sinto. Aprendi a equilibrar, sintonizar meus sentidos tresloucados pelas rotinas longas demais. A sensibilidade de perceber a falta, de sentir a falta e de aceitar a falta treino todo dia. São mais de cem, repetidos, incontáveis minutos, passos perdidos. Joguei fora uma cesta de coisas. Ao mar, corri pela terra, ao vento, deixei arder no fogo. E preferi transformar o passo de três linhas acima em pegadas desesperançosamente só minhas. Sim, este é um ato de coragem. Não há resignação alheia nessa minha escolha, só minha. Por isso, quero meu silêncio das noites rápidas. Meus devaneios fugazes. Devaneios só meus. E, por tanto, encontro nas minhas amizades um abrigo tranqüilo e mais do que sincero. Sempre presentes. Rimos juntos, fazemos planos de fraternidade. Pulamos de lugar pra outro. Programamos ou não, pois vivemos na medida em que nos aparece o dilema festivo. No entanto, em segredo, confesso que penso. Pior que isso, guardo preocupações a respeito de minha semana, essa das rotinas longas demais que acabam nas noites rápidas e silenciosas. Só minhas. A noite é só minha. Então, fico lá. Faço de conta. Olho pra cima. Meu teto, meu limite. O limite é só meu. Falo menos, não digo. E tem horas em que finalmente desapareço. Como deve ser enquanto se pensa na vida, faço o necessário sem imaginar as estações e seus trens que partem ou ficam. Tenho consciência da efemeridade do que respira. Do que é despejado no processo. Porém, está claro que o passageiro precisa arrumar as malas antes de partir. Não existem mais lugares preferidos em meu paraíso. Perco, erro, deixo ir embora. Eu me aguardo, me guardo, me respeito, pois saber a hora é o melhor passo para mim, para eu que quero de verdade. Então, vou! Sigo sem resposta, tampouco as ofereço. Crio novos sorrisos. Sorrisos só meus. Os espelhos estão lá como promessas. Então, trato com cuidado os momentos de incompreensão. Não guardo nada: nem novidades, nem futuros. E escovo o que me sobra dos dentes.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em tempo. Bookmark o link permanente.

16 respostas para Seguimos sem resposta

  1. Silvia disse:

    ué!!!! não vi vc divulgar no twiter o texto!!!! bj

  2. Belão disse:

    ah, não era texto de postar no twitter. hehe
    beijos

  3. Jessyka Ramona disse:

    Gostei desse texto mais do que todos os que já tinha lido. As vezes me sinto assim; a vida sempre muda de repente sem te avisar. Por isso não me preocupo. (= Muito bom como sempre prof!

  4. Belão disse:

    Obrigado, Jessyka! Alguém chegou até a me dizer que pode não ser texto de twitter, mas que pode ser o que a pessoa quer ler. então, vai pro mundo internético. mandei em tudo. a gente se sente assim às vezes e é bom se respeitar sempre. =)

  5. Sérgio Matuda disse:

    Gostei do texto, me faz parar para pensar (ou parar de parar para pensar). Me faz lembrar também que preciso arranjar mais tempo para ler e escrever um pouco mais.
    P.S.: Gostei da foto, hehe.

  6. Belão disse:

    Valeu, Sérgio! a foto é de um dia importante… hehe é bom parar de parar. pensar e sentir e viver é fazer tudo ao mesmo tempo. Abraço, meu amigo!

  7. Andressa Gomes disse:

    Necessário o fato de não sabermos todas as respostas que queremos. Na verdade acho Instigante. Principalmente se as respostas forem objetivas; sim, não, certo, errrado, (lembrando das aulas rsrs). Qual seria a graça de arriscar? Se jogar no incerto e descobrir o inusitado? Viver um dia de cada vez, como se fosse ultimo é o mais perfeito clichê.
    E Belão, na minha concepção, amigos são a essência da nossa alegria. Mas seu melhor amigo é você mesmo, se respeitar, conhecer seus limites e conviver bem consigo mesmo é a essência da estabilidade. Afinal a única pessoa que você vai conviver 24hr pro resto da sua vida é você mesmo 😉
    Mais uma vez, adorei o texto.
    Beijos

  8. Não sei se é bom ficar um pouco sozinho,
    mas me faz pensar, visitar o passado e seu texto me lembrou que tenho que fazer isso.
    parabens por mais um texto bom
    bjus

  9. Belão disse:

    Obrigado, Denise, estamos nesse mundo para pensar no que que foi e virá. Valeu por passar por aqui sempre! =))

    Andressa, curti muito seu comentário. É bem isso, pesar as coisas e pensar consigo mesmo no caminho a ser seguido. É a melhor coisa. Obrigado pelos comentários sempre! =)))

  10. Junior Gros disse:

    Madrugadas, devaneios, as vivo, os tenho. Ainda não aprendi a esperar. Após muitos acenos para trens que partiram, aos poucos vou aprendendo a partir. Olhando em frente, esperando passar a primeira curva para olhar pra trás.
    “Quero que a estrada venha sempre até você
    E que o vento esteja sempre a seu favor
    Quero que haja sempre uma cerveja em sua mão
    E que esteja ao seu lado, seu grande amor.”
    Versos que não são meus, mas que refletem o que desejo pra você.
    Abraço!

  11. anonimo disse:

    adorei seu texto, um olhar diferenciado entre os movimentos de pensamentos e ações do dia-a-dia. A importância que você dá a vida, aos detalhes e ao todo.. sem se preocupar, pelo menos a ponto de não entrar numa paranóia contínua. Adoro o seu jeito de exagerar no bom sentidos as coisas, os sentimentos, as palavras. Caminhar sem saber o que vai encontrar é a melhor sensação, o inusitado gera medo mas depois se traduz um uma experiência. Esse jeito de deixar os leitores escolherem o que querem sentir é mágico. Não só desse texto porém do blog e autor em si, virei fã (;

  12. Belão disse:

    Valeu, Ademir. Versos de bons desejos e com sabores são os melhores. Obrigado mesmo.

    Anônimo, adorei seu comentário. Acredito muito na importância dos pequenos detalhes desse tal de viver. Sem eles não faz sentido. Também acredito muito em deixar quem lê sentir livremente. A sinestesia só serve se for respeitada a alma de cada um. =)

  13. Renata Barp Igeile disse:

    Huahua sieeem estou viciada…nessas palavras acolhedoras, desse fantástico mundo…sempre que leio e escuto falar no prazer das pequenas coisas me veem a mente o maravilhoso filme do fabuloso destino de amelie poulan…cenas como colocar a mão no saco de feijão, que me via fazendo isso quando meu pai me levava ao mercado municipal, colocar morangos nos dez dedos…outra ótema que não tem filme dela mas tem na minha vida..hauha champignon…seprar a cabeça do talo na boca..hauhau ok renatez..por muitos é visto como bobice…mas siiieem adoro ser boba huaha..pronto falei …e ainda compartilho com as pessoas que recebo em minha casa…champignon azeite de oliva e óregano!!

  14. Belão disse:

    hahahah Fica a vontade, Renata. O blog tá aqui pra isso. Ainda mais qdo desperta tantos pensamentos, lembranças, gostos e vontades. Champignon decapitado então, é? hauhauhauah =)

  15. Renata Barp Igeile disse:

    hauhau nunca tinha visto por esse ponto de vista….fiquei com dó agora…mas enfim adoooro adorar decaptá-los! é óteemo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s