Apocalipse-me

Hoje tirei meu teclado e vontade pra escrever sobre o mundo. Esta é minha introdução a um texto doido de pretensiosa filosofia barata, até porque este blogue é pro bono. Então, ao invés das piadinhas bestas para atrair cliques eu me reservo ao direito de não ter anúncios e de escrever o que bem entendo. É a minha falsa liberdade, tá?! Cada um desfruta da sua como pode. Não gostou?, pare por aqui. O ministério de minhas faculdades mentais adverte: continuar pode afetar sua cognição ou não causar efeito nenhum e apenas gastar seu tempo.

(…)

Dizem que quem escreve carrega consigo o mundo à flor da pele. Besteiras à parte, não há certeza no que se escreve nem na vida de levar. Sempre fui desses apocalípticos por nada, comedido na hora errada, confuso com quem não deve. Sou de escrever, colocar ali no papel. O que mancha a folha é reflexo de momento, não de vida inteira. E filosofo com meus miolos desparafusados para pode conferir algum sentido ao meu cotidiano.

Pois bem, o fato é vivemos em uma sociedade em mudança. Uma mudança mais profunda que os olhos da maioria conseguem ver.

O trabalho não pode mais nos ser imposto como nossa razão de viver, nosso sentido único nessa vida de meu-deus, seu-deus, sua deusa, seus-deuses ou não-deus – pra ser democrático. Queremos mais que nossa rotina. Buscamos sentido de viver. Os pensantes não se conformam mais apenas com o consumo exagerado. Portanto, a noção de acumulação pecuniária de valores inventados e digitalizados em máquinas criadas não nos emociona ou comove.

Os crimes e a impunidade reverberam e fazem tremer até nosso último fio de cabelo do cu, pois vivemos em uma sociedade que sabe muito mais das coisas, compartilha mais. Ainda assim, nosso compartilhar é isolado. Não vivemos em redes sociais de verdade, continuamos em nossos casulos confortáveis de protesto velado e indignação latente. Somos fracos sozinhos e uns de nossos poucos irmãos viventes começam a se levantar. Inglaterra, Egito, Síria, Líbia, entre outros. Um ode ao questionamento! Eu os congratulo e exalto! O problema é que este questionar é feito sem se ter a medida certa da força e a repressão dos gigantes de moeda em poltronas de couro deflagra a violência popular.

Vivemos e morremos no tempo da guerra, esperando a tal da PAZ na – nem tão distante, nem tão utópica – Aldeia Global.

Nesta, os ideais libertários da paz e amor não têm mais o mesmo apelo. Tudo porque eram impulsos individualistas hedonistas que não cabem mais na necessidade de noção do coletivo e transcendente que perscrutamos na natureza do eu, do ar e da inevitabilidade do efêmero. Meu amor agora é nosso amor e é feito de partilhar incondicional, compreender carinhoso e doce abraço. Pureza de criança que ama tudo que cerca.

Se você ainda está vivendo seus dias com base no dinheiro, se você usa seu pseudo-poder político pra ganho próprio, preste atenção: O MUNDO TEM PENA DE VOCÊ, os dias irão consumi-lo, a falta de sentido vai estripá-lo. É o nada da história sem fim. Dele fugirão apenas os espiritualizados em valores, que nada tem a ver com religião ou dogma. Dele escaparão apenas os preparados com base em algo maior, um amor maior, uma vontade louca pelo bem como única alternativa. O bem como caminho.

Você pode render-se ou seguir sem vida rumo ao apocalipse. Nós os convidamos. Todos os sentados, deitados ou em pé, atentem! Esse é o nosso fim do mundo.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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17 respostas para Apocalipse-me

  1. Silvia disse:

    forte… lindo e emocionante

  2. Belão disse:

    obrigado, silvia.

  3. Belão, isso foi uma das coisas que li mais coerentes nos ultimos dias.

  4. Belão disse:

    valeu, Francielli! Fico feliz em ler comentários como este. São angústias existenciais que carregamos num tempo de mudanças.

  5. Anônimo disse:

    Belas palavras, Belão! Belas!!!

  6. muito bom
    a sociedade precisa se despertar
    ou vai continuar aceitando tudo até quando ?

  7. Jessyka disse:

    Pensei que você nunca diria. Muito bom mesmo… Estamos abrindo os olhos. (=

  8. Belão disse:

    Obrigado, Anônimo! sempre bom ter leitores atentos e indistinguíveis.. hehehe

    Denise, é bem esse o ponto do texto… temos que nos questionar sempre. obrigado pelo comentário.

    Jessyka, como assim eu nunca diria? sempre digo heheheheh
    obrigado!

    bjs

  9. Renata Silva disse:

    é o começo do próximo então? adorei! beijo

  10. Belão disse:

    É isso mesmo, Rê. Começo do próximo mundo. obrigado!

  11. Identifiquei-me: “Portanto, a noção de acumulação pecuniária de valores inventados e digitalizados em máquinas criadas não nos emociona ou comove”

    Ri muito: “Os crimes e a impunidade reverberam e fazem tremer até nosso último fio de cabelo do cu…”

    Belão dando um tapa na cara da sociedade hipster haha
    Gostei 🙂

  12. Belão disse:

    hahaha Obrigado, Fernanda. Escrevi o que queria. Quando a gente fala o que quer, alguém acaba levando um tapa. hehehe valeu!

  13. Anônima disse:

    clap clap clap

  14. Belão disse:

    tks, anônima… é um texto pra anônimos (eles e elas) então?

  15. Matuda disse:

    “All that is necessary for the triumph of evil is that good men do nothing” como já diz a frase atribuída a Edmund Burke (corretamente ou não, acho que não importa agora). Reclamar do mundo errado, e viver o mesmo mundo errado, por sua regras, olhando pela janela enquanto a vida passa, dando tchauzinho do confortável sofá chamado conformismo, é o sinal de que o mundo já acabou, só não nos demos conta disso.
    Abrir os olhos é sempre difícil, ainda mais quando o quê há para se ver nem sempre é tão bonito quanto aquela falsidade florida que nos mostram (Matrix?), acho que por isso é tão mais confortável viver o consumismo de uma vida vã e sem sentido. Afinal, ter um sentido exige empenho e dedicação, as quais não se encontra em qualquer canto.
    Adorei o texto, dá vontade de esfregar na cara das pessoas, heh.

  16. luci disse:

    Acho que já vivi bastante….Meus abisavós e avós ensinaram meu pai que a únicas coisas que “valem” são o trabalho e a família . Eram as únicas coisas que eles tinham quando chegaram nesta terra fugindo do que deixaram em algum lugar. Meu pai veio para Curitiba sem nada…e de novo o trabalho e a família recém formada eram seus pertences. Quando era criança pensava na possibilidade de trabalhar e formar família. A família mudou bem na fase que eu ia formar a minha. As mulheres já trabalhavam, o mundo globalizou via satélite, as diferenças apareceram e as injustiças e a podridão também. Vi movimentos sociais que valeram a pena e outros sem causa. Casei, formei uma “família meio torta”, fiz do trabalho uma forma de “salvar a família”(?). Hoje juntei-me a alguns excluídos, quero direitos para todos. Quero qualidade de vida também…mas os ensinamentos ficaram marcados…”se temos trabalho e família por perto tudo deveria estar bem”. Quero fazer parte do caminho do bem…mas por vezes não sei onde ele começa…Confusão né? Como vc mesmo disse: “O que mancha a folha é reflexo de momento, não de vida inteira”
    Adorei o texto, tem tudo o que eu acredito!

  17. Belão disse:

    Valeu, Sérgio, quero ouvir as suas indignações também. Acredito nessa reflexão e em sermos capazes de mobilizar pensamento para ação.

    Obrigado, Mãe. Grande parte de tudo que acredito, aprendi na família. Acredito também no seu trabalho social e em tudo que representa para o mundo.
    =)

    valeu!

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