Infinito de pertencimento

talento na foto e minha parceira: Natalia Russo Cruz

Um homem que decide viver de verdade encontra, ao longo de seus dias, a paixão e o amor misturados em figuras de diferentes formas e momentos de viver. É um processo engraçado de caminhar se engatando na beleza dos dias e na vontade das horas. Trata-se de se descobrir refletido em mais alguém e buscar aquela fagulha da primeira vista, do que se deseja acima do conhecer, um ímpeto irracional e incoerente numa tentativa de fagulha de felicidade.

Porém, a vida encerra todo o mistério da existência.

Ela ensina a cada um no seu tempo e na medida em que pode aprender, sentir e amar. Traz de volta desafios que negamos no passado próximo. Carrega para degraus maiores que nossas pernas para que possamos escalá-los. Exige-nos que usemos esse tal de cérebro que recebemos geneticamente ou por sorte aleatória de um deus jogador. Cartas na mesa, a banca e o baralho são feito de intensidade e do desconhecido.

Uma boa mão não faz a menor diferença. É preciso se aventurar para viver, ainda que nunca saibamos ao certo como levar nossos dias. O medo nos impede de descartar o que não serve mais. No entanto, o destemido é capaz de respirar atitude e transpirar ímpeto de amor. Ele busca, investiga. Ele se torna o homem que vive de verdade. Aprende a revirar os quartos, salas e amizades. Coloca quadros e livros no chão, pois as prateleiras não suportam suas obras. Ensina para ir além. Reaprende todo dia. Descobre, pois abriu os olhos.

E em seu ideal poético se reflete esta visão de mundo. Fora da caverna, ele enxerga a beleza que nunca antes lhe fora apresentada. Surpreende-se e se emociona com a transformação do sol em calor e luz. Abaixa os ícones e caminha na direção do utópico, pois nunca antes esteve tão perto, uma vez que agora avista esta utopia com retina transformada pela virtude.

O inusitado se revela e é notado em bom amor.

O medo transmuta-se em mergulho.

Ele a vê passar depois de anos e a enxerga diferente. Ela mexe o cabelo, fala com a cerveja quente na mão, brinca com os amigos que trata como bem mais precioso. É forte. Sorri com o canto dos olhos. É mulher e nem sabe ainda. Está prestes a descobrir, ele percebe pela primeira vez a sua. Já carrega o perfume do bem que reverbera no torpor que provoca nele, ele da visão que respira, da retina da virtude. Pois não há maior encantamento no homem que enxergar aquela beleza de anos guardada pela primeira vez. Reaprender seu corpo. Notar seus olhos. As mãos são e serão seus gestos eternos. Palma, dedos e unhas os aproximaram. Ela o escolheu, ele fez dos encontros uma conquista derradeira. De pensamento em solidão, o tempo – presente pra quem vive – tornou tudo beleza acompanhada. O compartilhar, a cumplicidade de tanto a descobrir numa pessoa e na outra. Ambos são duas razões, sentimentos e ações. O passo maior da amizade só deles, grandes parceiros. Roda, ciranda, rock, bossa são todos seus shows em som de cachoeira sinestésica. Beijo e abraço num só, sempre dividido nas qualidades que somam. Se viver é entregar-se ao amor, admirá-la é seu verdadeiro mergulho rumo a um infinito de pertencimento.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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9 respostas para Infinito de pertencimento

  1. Ando com a sensação que as pessoas estão cada vez mais apaixonadas. E como me alegra saber que há um infinito oceano onde amantes podem mergulhar.
    Belo texto!

  2. JuniorGros disse:

    Ah, o amor.
    Ótimo texto.
    Abraço.

  3. Belão disse:

    Valeu, Jefferson! é bem por aí.. muito a viver e mergulhar. Declarações são jeitos de proclamarmos o que se vive. É tipo uma oração ao amor, Ademir! Valeu!

  4. Silvia disse:

    adoreiiii quero me apaixonar assim um dia…

  5. Belão disse:

    quem sabe, basta se permitir Silvia. procura bem. fique atenta!

  6. Nati disse:

    Lindo… meu lindo!

  7. Renata Silva disse:

    sem palavras……….

  8. Belão disse:

    Obrigado pelo comentário mesmo assim, Renata!

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