Mickey Skywalker

Num mundo próximo do suposto fim, o Faustão ficou magro, o Silvio pobre e a Léia virou princesa da Disney.

É apocalíptico se analisarmos este último fato com a mente do grande mestre J. R. R. Tolkien. Afinal, ele chegou a colocar em seu testamento que permitia que um dia fizessem o filme do Senhor dos Anéis, desde que a Disney não tivesse nada a ver com o assunto.

Claro que Star Wars é uma outra conversa, um papo concernente a uma mesa de nerds completamente diferente daqueles da Terra Média. Eu gosto das duas, mas as Guerras das Galáxias Distantes, muito Distantes, sempre mexeram mais com meus midi-chlorians.

Acredito que é uma coisa de infância. Em meus dias de criança, meu pai viajava bastante e sempre me trazia o lanche do avião. Era o máximo, eu ficava em casa esperando e não era a comida que me fascinava, mas a troca de afeto e o capricho das empresas de aviação no tempo em que barrinha de cereal não era comida. Lembro-me de uma viagem em especial, uma que meu pai fez para São Paulo. Nesse dia, ele trouxe com a lancherinha do avisão uma réplica da X-Wing pra mim. Ele havia assistido comigo aos filmes no velho sofá cinza da sala e sabia pelo meu encantamento com a nave do Luke. Eram dias de pura imaginação e tudo pela frente. Meio que meu próprio mundo muito, muito distante. Star Wars guarda muitas dessas lembranças e desse carinho pela criança que nunca deixarei de ser.

Mas, pra falar disso a valer, quero começar pelo George Lucas, pelo qual cultivo um respeito imenso. O cara realizou um sonho quando ninguém nem sabia aonde chegaríamos com efeitos especiais, a Força e a imaginação. Mudou o cinema quando inventou tudo, criou e idealizou personagens num universo tecnológico, espacial e mitológico aonde, por maior que fosse a Estrela da Morte, o lado mais simples e altruísta era mais forte.

Além disso, ele começou chutando a canela dos curiosos: Episódio IV – Uma nova esperança. Nova pra quem? E os outros 3, Senhor Lucas?

Claro que ao tentar retomar a série anos depois – com os prometidos episódios I, II e III – ele foi criticado. Não tinha como ser diferente: muitos fãs, muitas opiniões e muitas mudanças. Mudanças até em coisa que já tava pronta. O povo que nunca comprou o VHS dos episódios IV, V e VI, por exemplo, nunca verá o filme em sua versão original, pois o George começou a mexer neles toda semana. Era você bobear na frente da tela que o filme estava diferente.

Isso irritou os mais conservadores. Irritou também por alguns erros de elenco dos novos filmes da saga, compensado por outras escolhas brilhantes. Porém, mesmo com o Episódio III sensacional, muita gente ficou puta, ofendeu o cara, perseguiu-o e tudo mais. Então, o meu amigo George, como bom ser humano, cansou da brincadeira e prometeu não usar nunca mais a força.

Vender pra Disney foi consequência disso tudo.

Agora vamos nos deparar com a continuação (in)desejada pela maior parte dos fãs. Se vai dar certo ou não, o tempo vai dizer. A Disney tem a fama de deixar tudo meio tutti-frutti-com-arco-íris-e-final-feliz-demais, sem contar na mania do “para sempre” que contraria os melhores poetas. Por outro lado, conta com diretores, produtores e profissionais para selecionar elenco dos melhores. Tem grana pra bancar uma superprodução, como Piratas do Caribe, e apresentou o recente histórico de sequências excelentes de filmes da Marvel. É, convenhamos que Os Vingadores não é qualquer um que faz.

Fica a nossa esperança que os personagens não sejam alterados ou estragados. Que ying yang da força persevere. Que os light sabers sejam brandidos por muitas horas. Que o passado seja respeitado. E, ainda mais importante, que o Jar Jar Binks tenha morrido.

Mas como diria Mestre e Amigo Yoda, “Fear is the path to the dark side…” Não temamos, portanto. Vamos deixar os caras fazerem o melhor. Minha dica pro time do Mickey é uma só: “Try not! Do or do not. There is no try.”

E que eles lembrem que estamos de olho e cuidem para que o mundo da força não acabe. Afinal de contas, o que acontece nas galáxias muito distantes nos interessa e muito. Star Wars é bem mais que uma, duas ou três trilogias, é o imaginário de gerações combinadas, é a paixão pelo desconhecido que o espaço encerra no silêncio de infinitas respostas.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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