O fim do mundo e outros apocalipses

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O sono se esvai em um sonho que me diz: um grande erro não justifica o medo. E assim começa o texto de final do mundo. Sem muito a dizer além do bom conselho de não temer e não dormir no ponto. Tantos se vão tão rápido ou devagar. Ainda assim, a vida é breve, curto sopro de paixão. Pode ser o sopro do Neimeyer ou os enormes perigos para quem vive as paixões do Poeta e Capitão do Mato. E o que sobra dessa equação complexa e incompleta de passar nossos dias em rotinas inventadas é só o amor.

A pele, os beijos, os gostos e o colorido do mundo naquele dia que amamos acima de todas as coisas são o melhor de nós mesmos. A chuva gostosa nos rios, o sol rebatendo forte e indomável nos prédios. Os sussurros perto do pescoço seguido de arrepio e a vontade cada vez maior de tocar, acariciar e sentir a mulher amada em seus braços nos reencontros de abraços apertados, demorados e tão significativos.

Beijos, braços, língua, abraços e amassos; repetidos, revividos, intensos e improvisados. São os perigos e delícias de nosso tempo na terra de meu deus, cada um com o seu. E a intensidade se encontra nos detalhes, ao lado do sentido da vida e da razão de todas as coisas. Jamais encontramos tantas respostas em nós mesmo como no momento em que amamos em pura entrega.

E, se amar traz para perto tantas respostas, por que perder tempo com o fim dos tempos? É o final que se anuncia, vem e passa. Escolhe quem se preocupou em mudar, entender-se, renovar-se e ir além de ambições que moveram o mundo até então. É a renovação dos povos, das gentes. É a prioridade aos atentos a si mesmos, socráticos convictos do autoconhecimento, nietzschenianos além do bem ou do mal. Aqui somos apenas fagulha da chama que nosso amor representa na escuridão de nossos desencontros. O resto é pesar.

Que nesse final do mundo, todos reencontrem o significado de amar e pertencer. Que todos se apaixonem profundamente até que o dinheiro, a carreira, o tempo e as posses percam o sentido. Que todos se re-entendam, se redesenhem e se preparem para o próximo apocalipse. Afinal, uma vez que nossos pés encontram essa terra fértil e úmida do algo a mais, a jornada só está começando.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em amor, declarações, esperança, filosofia, fim do mundo, gosto das coisas, intensidade, paixão, Poesia, sol, Sonhos, tempo, Trepar intensamente, viver. Bookmark o link permanente.

8 respostas para O fim do mundo e outros apocalipses

  1. [E a intensidade se encontra nos detalhes, ao lado do sentido da vida e da razão de todas as coisas. Jamais encontramos tantas respostas em nós mesmos como no momento em que amamos em pura entrega.]

    Disse tudo! Texto fantástico, pra variar! Adorei.
    bjos de fim do mundo! hehehe

  2. Anônimo disse:

    E se o mundo fosse realmente acabar? Com quem você gostaria de estar?

  3. Belão disse:

    Valeu, Ale =) é a entrega do texto pro mundo… sem fim…

  4. Belão disse:

    No momento, comigo mesmo e com minha família e amigos. Quem amo de verdade e quem me ama. Sem os espinhos.

  5. JuniorGros disse:

    Estamos de passagem. A viagem não custou caro, foi presente. Já diz o ditado de “de cavalo dado não se olham os dentes”. Nem sempre estamos na companhia certa. Nem sempre a paisagem agrada. O que há de se fazer?
    Se acabar, bem, acabou.
    Enquanto durarmos sobre esta terra, que façamos valer a pena. Mesmo que nosso mundo seja consumido pelas chamas de paixões arrebatadoras, que quando acabam nos deixam apenas cinzas.
    Afinal, o apocalipse não é lá nenhum fim do mundo. E se for, descansemos em paz.

  6. Belão disse:

    viver intensamente sempre, Dimiiiir!

  7. Cath disse:

    E que paixão enorme encontramos nos seus textos… É desejo de sentir tamanho amor ou de ser amado assim? Fim do Mundo é não sentir, não é mesmo? 😉 Beijos

  8. Belão disse:

    verdade, Cath! adoro seus comentários =)

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