Senhor Tempo Voador


(mais uma parceria literária)

Por Felipe Belão

Já escrevi da infância adulta, já sonhei em livros sobre possíveis futuros. Já fui adolescente com papel manchado e brilho de olhar perdido. Esperava a hora pra escrever, voltar da escola, parar de trabalhar, sentir o gosto do almoço, o gelado do chá, o cheiro da chuva, o ipê florescer. Esperava e esperava. Até que descobri o tempo, o instante de agora. O tanto por fazer. Transformei sonho em título e esperei a inspiração chegar com o lápis em riste. Até que não restasse nada que não fosse imaginado, virei escritor. Dizem que o livro é filho eterno, jamais envelhece. O dono das letras desiste de possuí-las quando as lança na página em branco. O que é continuum se desfaz em parágrafos de já e imaginação do que pode ter passado ou apenas ter sido inventado. Imaginar é abandonar o tempo, rir de sua linearidade.

E voe daqui, Senhor Tempo! Afinal de contas, cada vez que escrevo me recuso a crescer. Cada vez que sonho, despedaço a morte.

….                      ….                      ….

Por Gabriel Pauletto

Ah, como o tempo voa! Parece que foi ontem, ou há tão pouco tempo que não faz diferença. Me lembro bem quando tudo que eu fazia era jogar videogame e assistir a TV. Sem trabalhos, sem prazos, sem pressão. Lembro com carinho de acordar ao meio dia, ter o almoço pronto. A tarde, na escola, as professoras ajudavam a cada passo, e tudo que fazíamos era recortar revistas e fazer bagunça. De repente, se deu conta: “Ai caramba, estou atrasado para o trabalho!” Trocou a roupa e saiu de casa correndo e pegou o carro. Saiu pisando fundo no acelerador, costurando todo mundo no caminho. Ao pegar um engarrafamento, passou pela calçada onde quase atropelou um soldado e dois monstros que estavam passando por ali, e dois Power Rangers lutavam com o Godzilla que estava na esquina do lado, só que então…

“Michele, larga esses brinquedos e vem logo almoçar, se não você vai se atrasar pra escola!”. Que saco, não vejo a hora da 3ª série acabar!

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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