Toda mãe italiana merece uma declaração de amor

Bom dia, mãe. Saber que posso contar com sua resposta desata o nó no peito de qualquer pesadelo do sono passado. Afinal, não só lembramos, pois somos do tempo em que sua mãe também estava por aqui nos ensinando. Fizemos piquenique às sombras tranquilas do ipê e da mimoseira. Você sorria sempre com paciência e amor incondicional que jamais voltarei a encontrar. Fazia massa de pizza e se precisar queimava a mão fritando milhopan na cozinha de nossos papos. Cresci e vimos pessoas se afastarem e chegarem perto. As árvores sempre continuaram lá. Nossas conversas seguiram intensas em meio a uma confiança inabalável. Vivemos e saboreamos momentos em longas taças de vinhos, esperados copos de cerveja, refeições italianas deliciosamente sem fins ou recomeços. Fomos e somos um para o outro cúmplices de esperar mais do mundo: mais amor, mais bondade, mais esclarecimento e, até mesmo, perfeição. Afinal de contas, somos tanto nós dois porque rejeitamos em absoluto o morno e o medíocre. Você aprendeu assim com Maria, eu com você. Falamos até o que não devemos. Nunca acreditamos nos silêncios. Eu sou professor, você ensina pessoas. Eu sou escritor de brilhos no olhar, você os traduz socialmente. Rumamos ao sabor dos ventos do bem. Estamos juntos por telefonemas, reencontros na sala ou em novas cozinhas. Pelo passeio público de nossas lembranças, pelo sonho de nossos ideais. Hoje, mais velho que estou, carrego mais de você que posso admitir. Sou a soma de toda minha família: do vovô ao Henrique. Sou a intensidade do que é à flor da pele. Sou a roupa nova para ocasiões especiais. Sou as histórias repetidas e o “alô” grave. Sou forte, trabalhador e realizador de meu caminho. Mas ainda me sinto desprotegido sem você. Penso sempre no que este amor me transforma, para onde me transporta. O sangue que carrego tem nossa história, nosso abraço, nosso olhar de pleno entendimento. Só consigo concluir que o que recebo em carinho reverbero em paixão, nosso gesto. Um sorriso branco, um perfume na blusa guardada, uma mensagem de madrugada. Tudo porque sou filho: o porta-voz da eternidade de sua beleza.

Luci, amo você.
Feliz dia das mães.

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Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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8 respostas para Toda mãe italiana merece uma declaração de amor

  1. Debora disse:

    Felipe quando ira lançar seu próximo livro? Seus livros me encantam, foram os unicos que consegui ler ate o fim.

  2. Belão disse:

    Salve! Então estou trabalhando no meu terceiro. Acho que em breve, mas aviso por aqui e outros meios 🙂

  3. Ariana disse:

    Este texto me emocionou muito. Parabéns pela mãe, Felipe! Parabéns pelo filho, Luci!
    Beijos…

  4. Gisa Belão disse:

    Estou emocionada, imaginando essa relação linda, cúmplice. Parabéns mãe e filho!

  5. Belão disse:

    valeu mesmo, Ariana! muito agradecido =)

  6. Belão disse:

    sim, Denise, é o amor mais lindo do mundo =)

  7. Belão disse:

    Valeu, Gisa! =))))

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