Emoções contidas

Eu tenho uma mania: colecionar emoções contidas. Aquele beijo que não entreguei. Aquele abraço que não aconteceu. Aquela declaração de amizade no estilo “tipo um irmão pra mim”. Aquela saudade que não proclamei. Aquele grito que silenciei. Aquele tempo em que me tranquei em casa pra fazer de conta que o mundo tinha parado de girar.

Ainda assim me policio e tento dizer tudo, sentir tudo em um dia só. Sabe-se lá quando deixo essa terra, mas eu garanto: não será sem agradar e desagradar muita gente. Afinal, acolher as discordâncias faz parte do cotidiano. Por isso, vou seguir sentindo os instantes, falando o que penso, inventando paixões e pulando dias do calendário.

Vou colocar fúria em meu som e sangue em minhas páginas. Até que não haja mais a dor por ter me contido naquele dia, neste dia, num quem sabe amanhã hipotético. Patético silêncio, chega de você!

Poucos saberão lidar ou conviver. O tempo me perdoará e o amor aparecerá pelo meu esforço para que a coincidência aconteça e o reencontro exista.

Ainda assim, até lá, conservo na prudência conveniente uma mania: colecionar emoções contidas que sempre recordarei. Emoções que nascem em segundos e morrem em um epitáfio sentido: A ti, minha gratidão, pois nunca te esquecerei.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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12 respostas para Emoções contidas

  1. Junior Gros disse:

    Certa vez, ouvi em um filme, que toda bala tem sua história e seu destino. Para mim, as palavras e as emoções são semelhantes a balas.
    Há dias em que ser rápido no gatilho não te garante nada. Tudo é questão de saber a hora certa de dizer, sacar, sentir.

  2. Belão disse:

    pois é, mas penso muito sobre o deixar de dizer… acho mais importante falar…

  3. Lara Bona disse:

    Adorei seu texto, me identifiquei…
    Nossa colecionar emoções contidas… Eu faço isso às vezes!
    Tenho uma coleção delas guardadas…
    Mas ultimamente tem me acontecido algo interessante. Essas emoções estão pedindo para vir à tona. E sinto que se não falar, é como se elas fossem perder-se para sempre no tempo…
    É importante falar.

  4. Belão disse:

    sempre falar, Lara. Penso muito na importância dos instantes e com eles das palavras e gestos =)

  5. Lara Bona disse:

    instantes + palavras + gestos… sempre 😉
    perfeita combinação… que às vezes se resume em um olhar…

  6. Belão disse:

    =) bom começo =)

  7. Isa disse:

    acolher as discordâncias faz parte do cotidiano.

    viver é falar e sentir
    e silenciar.
    penso que, é saber o melhor pra cada situação, cada momento
    o silêncio muitas vezes diz mais do que simplesmente dizer. pq o silencio nao diz, deixa no ar, traz a incerteza e gera a duvida. que intriga. e as vezes passa, quando as palavras sao ditas..

  8. Belão disse:

    concordo plenamente, Isa. Esse texto é sobre o silêncio e palavra. Uma busca desse sentido e desse encontro. Grato pelo comentário! adorei

  9. Rodrigo Chiquiti disse:

    me apaixonei pela primeira vez. Faz pouco tempo. Silenciei pela insegurança, o medo de uma recusa – sofri de certo modo. Mesmo assim, sou eternamente grato, pois essa pessoa despertou tal sentimento. Na minha vida, uma lembrança significativa.
    Belo texto.

  10. Belão disse:

    é bem por aí. esse texto é sobre o paradoxo de falar e silenciar. é amar e dizer tudo. amar e guardar. em tudo há encontro. =)

  11. Vanessa Eliane disse:

    Muitas vezes eu me sinto nesta mesma situação, criando amores, criando situações, criando amigos e emoções. Não sabemos se somos sensíveis demais, não sabemos se vivemos em um mundo paralelo, não sabemos se vivemos muito e ainda temos muito o que viver e fazer… a única coisa que sabemos é que sempre sentimos aquele gostinho vazio do que poderia ter sido… e na falta do que não temos criamos o paralelo perfeito aos nossos sentimentos.

  12. Belão disse:

    é aquele canto especial de memórias recortadas. bom guardar com carinho =)

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