Ainda amar não é querer de volta

Pra começar bem, um poema da minha talentosa amiga Alexandra Barcelos:

O que eu mais amava em você
Nem era a cor dos seus olhos
Não era tudo que você tinha lido
Nada do que pensavam sobre você
Era o que eu mais amava
O que eu sentia se escondia
Além das percepções alheias
E aparecia no terremoto que existia
Nos nossos encontros
Nenhum lugar viu isso acontecer
Nem as ruas dessa cidade
Tampouco os olhares dos nossos amigos
Ninguém soube de nada
Só as paredes do seu quarto
E o movimento frenético do meu coração
Que eu entregava para você
Mesmo quando você fingia não perceber
O quanto eu te amava

 

Agora, minhas divagações a respeito do amor:

Sempre pensei nos tipos de amor de beijar na boca. Amor devagar, amor depressa, amor de instante, amor de companheirismo, amor de namoro, amor de caso, amor de trepar intensamente, amor repetido, amor que nasce inesperado, amor de admiração, amor de perder o chão, amor gritado, amor de opostos, amor de brigas, amor quietinho, amor calado, amor silencioso e outro amor.

A única coisa que nunca acreditei é no amor que acaba.

É tudo uma relação de espaço-tempo. Aquele cara que fui – e já não sou mais – sempre amará quem amei um dia. O que me faz ainda amar te amar hoje, mesmo que apenas nas lembranças de quem eu já não sou mais. Sacou?

É simples. Se você voltar no tempo, seu eu também volta. Nesse caso, você não é mais seu eu-de-hoje e sim seu eu-de-ontem. E seu eu-de-ontem amava e vai continuar lá amando. Então, se você amou um dia, ainda que o outro tenha fingido não perceber, já deu certo. Até porque dar certo não está relacionado ao tempo que durou.

Por essas que não entendo quem diz assim: “Namorei quatro anos, mas não deu certo.” Como não?! Deu certo durante quatro anos. Não revogue o amor declarado na sinceridade dos dias vividos.

Amor é coisa de ser, é coisa de encontro. Encontrar é a arte da vida, já declarou O Poeta. Pouco importa quem soube, quem notou, quem tirou foto pro facebook ou o que os amigos disseram a respeito. Nós sabemos. Por isso, mesmo sem querer ninguém de volta, sigo amando na lembrança. E, quando aperta, quem sabe até na saudade, privilégio de quem escreve a vida em português.

O resto é desculpa que as pessoas usam pra apagar o passado que faz você ser quem é no agora. Portanto, ao invés de desprezar o que foi, olhe no presente e mire o futuro com o de desejo mais amor, de qualquer tipo. Mesmo que repetido, desde que seja novo. E entregue mesmo, solte o verbo sem se arrepender. Afinal, o amor que existe é sempre livre.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em Alexandra Barcellos, amor, declarações, filosofia, intensidade, Liberdade, Love, Trepar intensamente, viver. Bookmark o link permanente.

13 respostas para Ainda amar não é querer de volta

  1. Leilóca disse:

    Seu texto me fez refletir. E isso é tudo que tenho para comentar 🙂

  2. Junior Gros disse:

    Amamos as pessoas pelo que elas tem de especial, que as torna únicas. Estas singularidades não desaparecem, mas a lenha que mantém a chama da paixão acesa, essa sim, um dia pode acabar. Mesmo não queimando, o amor ainda vive, mas, não aquece mais.
    Mais uma vez, parabéns à dupla.

  3. Belão disse:

    Se te fez refletir, leiloca, o texto já cumpriu seu papel :)))

  4. Belão disse:

    Valeu, Dimir, meu amigo! É bem isso que enxergo da diferença entre o amor e a paixão.

  5. Anônimo disse:

    Felipe, sou fa de carteirinha da Alexandra. Sendo irma mais nova dela, cresci assitindo a sua paixao pela literatura e poesia…mas voce! Voce e de uma sensibilidade impar! Parabens pela parceria!

  6. Gisa Belão disse:

    Seu texto me fez viajar e refletir. Que bela viagem, viu. Grata. 🙂

  7. Sueli disse:

    Então,amor é mesmo consciente,e eu que pensava que poderia nem lembrar dos amores que mal tive,e que nem deram certo…Que bom assim posso amar sem esquecer!

  8. Belão disse:

    muito grato, Irmã da Alexandra! sensacional dividir textos assim =)

  9. Belão disse:

    Valeu, Gisa! passe sempre por aqui =) sempre bem-vinda =)

  10. Belão disse:

    Sim, Sueli! eu amo sempre pra lembrar depois. guardar com carinho ainda que de longe sempre vale a pena =)

  11. Cath disse:

    E encontrar amor na ausência do amor? Sentir-se sozinho, sentir-se bem. E sentir saudades e lembrar com carinho do que nunca aconteceu? Dá preguiça de mirar o futuro e desejar mais disso… Beijos :)))

  12. Belão disse:

    beijos e muito grato pelo comentário. pura verdade

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