Rap, o hip-hop e o preconceito

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Os ecléticos demais que me desculpem, mas música boa é fundamental. E som, que não é uma questão de gosto mesmo bom é feito de letra com paixão, ritmo certo pra palavra boa.  Dá pra ser piegas sem dor de corno. Tem como animar a festa sem ser o rei do camarote. Existe jeito de falar de sexo e de tesão sem ser vulgar ou coisificar a beleza imensurável das mulheres.

Neste final de semana tive uma aula de boa música por parte da minha cidade. Durante dois dias, assisti a mais de nove shows pelas ruas de Curitiba. Começando por dar boa tarde pro lendário Tatára, passando pelo groove surpreendente da MUV, a beleza da Gentileza, a genialidade do Paulinho Moska, a presença incrível do Beatle brasileiro Moraes Moreira até chegar a um show que me emocionou demais: o do Criolo.

Era onze e meia da manhã de domingo ensolarado. Os curitibanos nunca viram tanto calor quanto neste dia. Eu e minha deficiência de melanina saímos de casa cobertos de protetor solar. Fui caminhando do Bar do Carioca, que fica perto de minha humilde residência, até a famigerada Boca Maldita. Caminhada tranquila, com direto à sombra das árvores da sete de setembro, à água gelada na praça do Japão, gente bonita pela Comendador Araújo e lá estava eu ao meio dia e pouco.

Logo encontrei um casal de amigos, cuja companhia não poderia ser melhor. Whatsappiei aos demais e esperei o show.

Já curtia o som do cara. Porém, vê-lo se preparar pelas câmeras para subir ao palco já me emocionou pelo respeito e dedicação que ele estava tratando aquele momento. Ele veio sério, inteiro de branco e com chapéu de marujo que decidiu há tempos assumir o leme da própria vida. Abriu rindo irônico dos problemas sociais com Duas de Cinco e seguiu me emocionando. Da falta de amor na cidade grande, para a atenção à luta que continua, ele versou sobre o orgulho à própria pele e à humildade de se aceitar mesmo quando não compreendido e provocando nós nas orelhas alheias.

Se na laje é tríplex, eu aprendi até como pedir e honrar os cidadãos que desceram de cima da banca de jornal atendendo ao Xamã Criolo. Ele e seu séquito, alinhado à sua energia, seguiram encantando. Demonstraram que, desde do cara que monta o palco, dos instrumentistas ao sujeito da mesa de som, a música é conjunto, dedicação e harmonia; dinheiro faz o santo pesado perder o andor.

Se emocionou ao falar e ouvir que só o amor pode mudar o mundo. Fez o povo curitibano se abraçar no meio da rua (coisa rara). E demonstrou toda a atitude que muita gente simples e batalhadora deposita no rap e no hip-hop, ritmos que subvertem a imensa diferença social que nosso país ainda conserva.

Foi poeta, foi maestro, versador e trovador. Criolo desceu do palco deste dia da minha vida com o respeito e admiração pela energia que deposita no que acredita e no bem que incentiva. Ele é exemplo para os jovens que o escutam e também para os demais artistas que tem a oportunidade de expor sua alma para o mundo carente mais e mais amor.

Tomara, Deus, que mais música boa assim nasça dentro do meu Brasil.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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4 respostas para Rap, o hip-hop e o preconceito

  1. Adoro as musicas do Criolo.
    só o amor irá salvar a humanidade

  2. Anônimo disse:

    “que mais música boa assim nasça dentro do meu Brasil.” Amém

  3. Belão disse:

    só o amor mesmo, Danise.

  4. Belão disse:

    amém mesmo, Someone =)

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