Carta de repúdio de uma mente inquieta ao mal do mundo

Águia

 

Diante da intensidade, nada me define. O mundo com seus bilhões de habitantes é povoado e construído pelo bem. Interrompido e devorado pelo mal. Passar por cima de nossos pensamentos durante a rotina dos dias é um jeito de aceitarmos o que fazem conosco. Prostituímo-nos. Deixamos a preguiça, a letargia e a inércia nos transformar em sujeitos passivos, observantes e subservientes. O dinheiro, a ameaça do desemprego, a prestação da casa, o compromisso com o leite dos filhos ou a possibilidade da destituição de cargos que nem pretendíamos ter são o martelo que bate o cadeado de nossas correntes.

Instituições boas gerenciadas por projetos pessoais de poder e intransigência nos mergulham num mundo em que o cu do mais humilde é visto como um buraco enorme em que tudo cabe. A injustiça causa nossas doenças. A culpa que sentimos por obedecer nos torna agressivos quando não devemos. A ira que explode intolerante sempre é a consequência dos ouvidos tampados que os bruxos do poder conservam. Eles não se importam com o dano que causam na alma de seus súditos. Eles só enxergam o que escolhem. E nós, também culpados, demoramos demais para entender que os reis de nosso mundo morreram há séculos.

Quando entendemos o tempo, é tarde mais. O tempo, essa entidade que jamais se repete e que é um só rio diante da força do gesto, do bem e da honra penhorada na palavra. O tempo que cura, conserva, permite que vivamos nossas paixões e amores. Ele também cobra o bem que praticamos em vida no formato do fim inevitável.

Já me chamaram de perturbado, boca aberta, inquieto, louco, criança e questionador exagerado. O mais impressionante é que tentaram me ofender com tais palavras. Pois em meu texto, aconchego da minha mente, eu truco e levanto para mais: sou o homem que você chamou um dia de menininho, o homem que subverte a ordem da injustiça em sua própria vida, sem mandar na de mais ninguém. Assim como aprendi com minha família, cujo olhar reflete a caridade do amor e a força da revolta diante de qualquer imposição torpe, eu falo e desqualifico a desumanidade. Eu renuncio ao mal imposto, à resposta pronta ou ao único livro certo. Eu repudio o que chega morno, falso e hipócrita com o sorriso que pendura quadros sem trazer no coração o bem que imagem da parede representa. Sou o coroinha pagão que sempre achará o tesão sagrado. Sou nada diante de você, assim como você diante do tamanho universo. Somos nada juntos. Uma montoeira de vida preciosa nadando no mesmo mar sem fim. Afogar-me não levará você além. O poder dos cargos não conduz o barco, apenas ao vento é reservado o direito de nos impulsionar. Ainda assim eu remo para fora da caverna mais inspirado do que nunca. Paro nu diante de novos obstáculos. Trago comigo um saco cheio de esperanças. Tudo porque nada me define simplesmente, mas eu não canso de escrever o mundo.

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em abutres, escatologias, Escola da Vida, intensidade, problemas do mundo. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Carta de repúdio de uma mente inquieta ao mal do mundo

  1. Anônimo disse:

    ê Felipe, vejo aqui o faminto de amor que vc é. Sempre avante meu amigo!! Maravilhas na esperança de escrever o mundo.

  2. Anônimo disse:

    ai, eu saí anônimo kkk bem, faminto de amor, só pode ser acordo! haha

  3. Belão disse:

    Sempre avante mesmo, Someone! sempre adiante no sonho de viver intensamente!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s