Nem esquerda, nem direita; Sou Pró-Nuvem

 Foto Escritor Felipe Belão
Nosso Brasil é lindão e berço de um povo gente boa. Isso é uma verdade tão gigante quanto nosso território e tão abismal quanto nossas diferenças. Somos o país em que o conforto de poucos é sustentado com o sofrimento de muitos. Ainda assim, maquiamos números e dizemos que tudo está bonito. Fazemos de conta que o bandido daqui é só bandido e merece apanhar. Não olhamos a infância desgraçada de gente perdida e não abrimos os olhos para os crimes cometidos pelas classes mais altas. Prendemos por tráfico o pobre miserável com um baseadinho e mantemos soltos os malfeitores do colarinho branco. Mantemos a indiferença às palhaçadas políticas à nossa volta, até porque sair do sofá dói e pensar cansa.

Somos um país incerto. Órfãos de governo, sem poder político que sequer tente garantir nossas conquistas sociais. Somos o povo sem educação, somos do partido de diminuir a média da escola pública em frangalhos para aumentar os números de jovens formados. Somos do sistema de saúde associado à morte e descaso. Somos o país de bancadas religiosas preconceituosas, de poder executivo com rabo preso, de poder judiciário que demora mais que a vida de um monte de gente. Somos do “jeitinho” por conta disso tudo: é tanto cacete na cabeça que temos que nos defender, nem que seja furando a fila pra garantir o nosso. Percebam a tristeza de viver assim.

Temos medo de não arrumar emprego, depois temos medo de perder. Sujeitamo-nos. Deliramos no futebol e o final de semana brevemente nos permite esquecer as sequelas de um regime colonial somado à má gestão pública motivada por valores enfraquecidos de uma sociedade sem pai, nem mãe. Buscamos heróis e encontramos a Ivete Sangalo ou a Claudia Leite. Ou pior queremos votar melhor, mas as opções colocadas à nossa frente são de fazer o messias vomitar no pé da mãe.

Quatro anos passam, Faustão ficou magro, Silvio Santos ficou pobre e Sarney se manteve firme. Chega mais uma Copa às portas da eleição e ainda não consolidamos nosso poder coletivo. Não usamos a pouca educação que temos para, com base na coletividade do pensamento, promover a reforma política que o país precisa. Pelo contrário, aplaudimos nosso decretos que antecipam uma ditadura de esquerda ou de direita – tanto faz porque é tudo às custas da nossa liberdade. Aplaudimos o marco civil da internet que chega cheio de maquiagens e pompa pra controlar o único meio de comunicação que nasceu livre e seguiu livre até aqui.

Controle: ferramenta que cabe nas duas mãos de quem está no poder, seja de esquerda ou de direita. Restrições: maior forma de controle. Praticar o bem: escolha do homem livre. Diálogo: coisa de subversivos, graças à Deus. Inteligência coletiva: ainda é lenda em meu país.

Por essas e por tantas, nem esquerda e nem direita, eu sou pró-nuvem. Por uma internet para sempre livre, pró-inteligência-coletiva-do-bem.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
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