O coração é o rio de quem ama

Foto Rio


No rio de minhas paixões, eu escolho ser a água para nunca estar à margem e sempre ir mais longe. Estou atento aos sabores, puro movimento intenso. Procuro praticar o bem, sem negar o mal que posso dar a entender com meu jeito de existir. Somos todos nós esta dualidade. Negá-la não nos faz melhores, apenas menos humanos. Por isso, não carrego culpa pelo que sou, apenas trago comigo um desapego gigante do erro e uma vontade enorme de ser melhor. Decido com cuidado sempre que possível. Peço perdão quando escorrego. E sigo o rio, carrego barcos, canoas, vejo pessoas nadarem por mim e me atravessarem. Pessoas e coisas. Coisas e peixes. Fatos do dia e da semana. Conversas que reverberam. Tudo isso me faz vibrar de um jeito e em um sentido. Sou a água, sou o rio. Bem de perto não sou nada. E é exatamente isso que quero que conheçam. Sou vazio de verdades, pois bem de perto apenas sou. Existo aqui, só eu: incompleto e imperfeito. Resido com minha essência, com algumas qualidades, certas inadequações e raivas. Eu carrego tudo, pois pela força da água sou capaz de abraçar e empurrar com a mesma intensidade. Quando opto por abraçar, os efeitos são diversos. Sou um acúmulo de moléculas no tempo. Parte de mim caiu da chuva, parte de mim se mistura com o gosto da terra e parte de mim se evapora e se esvai todos os dias. Parte de mim, quem molhou o pé leva consigo. Parte de mim bate na pedra e a transforma na mesma medida em que ela me ensina uma lição. “Cachoeiro-me” em sons. Sou fluidez e meu espaço é incerto, meu tempo difícil de prever e minhas ondas duras de calcular. Sou um rio temperamental, temperado com os caprichos do desejo mundano e iluminado pela transcendência da busca. Sou esperança e fé, até porque, enquanto houver nascente e foz, meu amor apenas é.

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em amor, Escola da Vida, gosto das coisas, intensidade. Bookmark o link permanente.

4 respostas para O coração é o rio de quem ama

  1. muito bom professor!
    Simples, direto e objetivo!

  2. Texto maravilhoso!
    Parabéns 🙂

  3. Belão disse:

    valeu, Pri! muito grato =)

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