Quando o assunto é querer bem

Primavera

 

Não há plano que faça a gente chegar lá mais rápido. Não há uma estrada ou um meio-fio que o valha que nos mantenha no caminho. Não existem detalhes suficientes para que a gente mude a ideia de viver. Não existirão razões para duvidar da intuição fugaz que nos aproxima. São coisas do sentir e do querer bem. Coisas que, para sentir, temos que abdicar do controle de viver para, incondicionalmente, querer bem.

Como aconteceu? Se pensarmos no começo, não vamos saber explicar. Os anos transformam nosso jeito de ser, os anos nos ensinam sobre as afinidades e sobre a importância da paz. E, de forma natural a vida tem um jeito de nos levar para perto. As pessoas que estavam lá, de uma hora pra outra, viram pessoas mais importantes do que um dia foram. Mais importantes do que eram ontem, até. E, nessa unidade tempo que é um giro no relógio, um instante do acaso-rei, o nosso caso ou causo está lá todo feito e criado. Tudo porque nós dois inventamos de fechar os olhos e viver.

Com beijos e abraços enfeitamos os segundos preciosos em que nossas peles se tocam. Parece que chegamos, nos encostamos e vivemos cada milímetro deste tempo, minutos ou horas no espaço de nós dois. Simples desse jeito, do nosso jeito, nosso jeito de agora. Minha barba no seu rosto, o seu cabelo na minha cara. Estamos escondidos do mundo no detalhe do seu pescoço, perdidos dentro de nós mesmos na medida de nossos olhares.

Daí pra frente somos tudo e tudo é tão pouco. Da complexidade, fazemos música. As angústias, transformamos em som. Escolhemos o sonho bom e mudamos a rotina da semana. Ela fala coisas de querer bem para mim e eu falo coisas de querer bem para ela. Ouvimos, desejamos e eu, surpreso, me encontro apaixonado por cada hora que me aproxima de seu sorriso. E, na distância, deliro com o barulhinho de cada mensagem que ela me manda. Ainda temos tudo o que resolver. Mas, como eu disse, tudo é tão pouco. Se pensarmos bem nos problemas, eles não existem. Não sobra nada para lidar, apenas nosso olhar e pele e beijos e os perfumes que se misturam. Sem planos perfeitos ou atalhos rápidos, escolhemos a estrada do detalhe da paixão. Do nosso gostar, desfrutamos das raízes e das folhas aos espinhos, conservando sempre à frente as flores que ela carrega consigo. As flores no seu cabelo. As flores da cor de sua pele. As flores do tom de seu lábio de beijar. Flores fortes da primavera do meu bem querer.

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em declarações, estações do ano. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Quando o assunto é querer bem

  1. Anônimo disse:

    chorei!

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