Sexo Sinestésico

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Tanto para dizer. Tão pouco tempo. Nos intervalos de um papo ou outro, nesses intervalos tão curtos, a rotina da vida corta nossa liberdade de estar, de ser e de vivermos. Claro que só depende da gente, mas há os desencontros indiscutíveis. A profissão, nossas escolhas e o final de semana que passou e já voou. O tempo e seu infinito continuar eterno ainda que nos atropelando. O relógio e seu tic-tac inventado sem sentido: as rotinas que construímos sem pensar ou pesar.

Então nossos olhares se encontram.

Ufa, paramos tudo um pelo outro!

Quando eu te vejo a música troca. De um ritmo frenético eu viajo ao som de um blues virado num rock’n’roll. É o som de teu corpo no meu. De meu beijo no teu. De nossos corpos ardendo no tempo que se tornou infinito diante de tanto sentir. Pele, gostos e salivas misturadas. Eu sou você e você se torna parte de mim ao descortinarmos nossas individualidades em nudez. Pronomes não importam, nomes e idiossincrasias são detalhes distantes diante do desejo.

Há quem diga que nos rendemos. Acredito que estão certos. Eu estou rendido ao teu toque e ao teu jeito. Estou rendido a esta vontade com a esperança que ela seja alicerce eterno de meu abraço no teu. Que nossa conexão seja mais do que palavras ou lógicas. Que nossos corpos sejam o próprio som que altera o ambiente. Que o clímax seja em olhar, tesão e explosão de cores. Meu beijo e teu beijo que formam o nosso, a última nota desta sinfonia.

Depois de tanto, nada para dizer. Afinal, o tempo se dobrou e, em sua curva, inventou nossa morada. Tudo se desfez e criou o instante, nosso momento e a lembrança. Agora sim somos gozo e paixão em nesta meia-noite sinestésica de trepar. Tudo porque, em se tratando de nós dois, amar é gozar o tempo.

 

 

Sobre Belão

Escritor, Professor e Publicitário. Não necessariamente nessa ordem. "Ele soava como um delírio de uma mente cansada da banalidade do segunda-à-sexta. Parecia daqueles que desfilam descuidados pelas ruas, sem se deixar afetar por nada ou ninguém. Com estilo próprio por excelência de consciência e com personalidade mais do que confusa pela falta de linearidade de todas suas idéias, pensamentos, ironias, citações e crises apocalípticas de descontentamento pelo mínimo que o existir exige."
Esse post foi publicado em Cores, gosto das coisas, Trepar intensamente. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Sexo Sinestésico

  1. Laís Iubel disse:

    ótimo texto fê, as always!

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