Diário de um professor

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Olho pela janela do apartamento. Sempre a mesma árvore, minha árvore. Ela me saúda e deseja bom dia. E, com o gosto de café amargo, sigo para o trabalho. Encontro, nos corredores diferentes de uma universidade acolhedora, alunos misturados e de todas as idades.
Sinto que estou no lugar certo todo dia em que entro em uma sala de aula. Cada uma tem um jeito e uma coisa para receber e entregar. Os alunos são justos no que esperam. Alguns vão gostar de mim, outros nem tanto. Aprendi a entender cada palavra que recebo: críticas me fazem mais atento e elogios me conferem força para a caminhada.
Os que discordam me levam mais longe. Os que concordam facilitam compreensões e lições. Os que me rejeitam estão cada vez mais prontos para pensar por si mesmos. Quando recebo amizades, retribuo. Quando recebo olhares, sou responsável. Quando recebo ódio, compreendo o medo projetado no futuro ou na figura que represento. Muitos me conhecem de verdade. Poucos me conhecem de verdade. Tento mostrar que só não existe a verdade.
Cada dia uma aula. Eu me exponho escancarado. Deixo lerem meus textos, minhas palavras imaginadas e revelo meus sonhos. A imensidão do mar eu carrego nas mãos que chacoalho enquanto falo. Sou de dizer. Sou direto. Procuro ser justo, mas sei que nem sempre acerto. Somos feitos da carne dos alunos. Eu sou cada um deles e eles são meu sonho de futuro.

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A força mais do que Jedi de compreender

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A força com que o universo de tudo é capaz de nos conduzir ao longe é o mistério do detalhe das pequenas coisas. Quanto mais forte a gravidade dos desafios enfrentados com coragem, maior se tornam no meu peito o carinho, a paz e o respeito. Aprendi a perdoar. Aprendi a medir o gesto. Aprendi tudo errando e não tenho medo de pedir perdão. Sei entender a dor alheia sem pegar nas mãos. O meu olhar atento tem clareza: da luz que emana minha vontade há sempre a missão do amor.

Há dias em que parece até que acordo mais anjo. Tem noites em que tenho a sensação de ter virado homem mais velho, homem feito de um dia para o outro e pronto. Dia amanhece. Coço minha barba em busca de saber mais. É difícil. Leio e mergulho em pensamentos. É difícil. Formulo teorias para tudo. Não resolve. Penso no que o Yoda ensinou pro Luke. Nada! Então, decido oferecer compreensão mesmo para quem não me compreende e aí encontro a resposta.

Acho engraçado que quanto mais ofereço essa mesma compreensão para todo mundo, mais feliz eu fico. Parece que eu estou reciclando a compreensão no tempo de um sorriso e repassando para o próximo que se atenta em mim. Já na primeira semana seguida em que fiz isso me surpreendi: “Pô, mas é assim tão simples que se vive bem?”

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Quando o assunto é querer bem

Primavera

 

Não há plano que faça a gente chegar lá mais rápido. Não há uma estrada ou um meio-fio que o valha que nos mantenha no caminho. Não existem detalhes suficientes para que a gente mude a ideia de viver. Não existirão razões para duvidar da intuição fugaz que nos aproxima. São coisas do sentir e do querer bem. Coisas que, para sentir, temos que abdicar do controle de viver para, incondicionalmente, querer bem.

Como aconteceu? Se pensarmos no começo, não vamos saber explicar. Os anos transformam nosso jeito de ser, os anos nos ensinam sobre as afinidades e sobre a importância da paz. E, de forma natural a vida tem um jeito de nos levar para perto. As pessoas que estavam lá, de uma hora pra outra, viram pessoas mais importantes do que um dia foram. Mais importantes do que eram ontem, até. E, nessa unidade tempo que é um giro no relógio, um instante do acaso-rei, o nosso caso ou causo está lá todo feito e criado. Tudo porque nós dois inventamos de fechar os olhos e viver.

Com beijos e abraços enfeitamos os segundos preciosos em que nossas peles se tocam. Parece que chegamos, nos encostamos e vivemos cada milímetro deste tempo, minutos ou horas no espaço de nós dois. Simples desse jeito, do nosso jeito, nosso jeito de agora. Minha barba no seu rosto, o seu cabelo na minha cara. Estamos escondidos do mundo no detalhe do seu pescoço, perdidos dentro de nós mesmos na medida de nossos olhares.

Daí pra frente somos tudo e tudo é tão pouco. Da complexidade, fazemos música. As angústias, transformamos em som. Escolhemos o sonho bom e mudamos a rotina da semana. Ela fala coisas de querer bem para mim e eu falo coisas de querer bem para ela. Ouvimos, desejamos e eu, surpreso, me encontro apaixonado por cada hora que me aproxima de seu sorriso. E, na distância, deliro com o barulhinho de cada mensagem que ela me manda. Ainda temos tudo o que resolver. Mas, como eu disse, tudo é tão pouco. Se pensarmos bem nos problemas, eles não existem. Não sobra nada para lidar, apenas nosso olhar e pele e beijos e os perfumes que se misturam. Sem planos perfeitos ou atalhos rápidos, escolhemos a estrada do detalhe da paixão. Do nosso gostar, desfrutamos das raízes e das folhas aos espinhos, conservando sempre à frente as flores que ela carrega consigo. As flores no seu cabelo. As flores da cor de sua pele. As flores do tom de seu lábio de beijar. Flores fortes da primavera do meu bem querer.

 

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As delícias de minhas paixões mal escondidas

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Ela tem um jeito de ajeitar o cabelo como se estivesse mexendo comigo. Chega e eu logo tiro sarro de alguma coisa ou resmungo rabugento com carinho. Faço de conta que consigo esconder verdades, acho que ela também. Só sei mesmo que ela faz esse negócio de inclinar o queixo levemente para o lado enquanto levanta o ombro que chega a me perturbar de paixão. Quando os olhares se distanciam eu tento fazer de conta que ela não existe ou nunca existiu. Vê se isso é idade de se encantar com tamanha intensidade!
Durante o dia nem lembro que ela existe. Faço de conta de muita coisa quando falo disso com alguém. Mas pode confiar que, em tempo de paixão, as verdades absolutas duram os poucos instantes de um suspiro ou de uma troca de casacos. Logo vem e “pow!” ela aparece meio que me dando um “tá-ligado”. Eu não me esperto mesmo!
Em seguida vem a maldita cognição tendenciosa e a leitura mental do Facebook jogando-a em minha timeline. Pô, Zuckerberg! Fica aquele silêncio do usuário online. Tempo em segundos, minutos ou horas. Quem nunca abriu a janelinha só pra ver se o outro não estava digitando algo?!
E o tempo passa e parecem existir ligações que vamos criando com certos sorrisos de gostar. Os ombros, os lábios e o olhar em consonância com a alma nos faz delirar na beleza. Somos o próprio tempo transformado na dor causada pelas borboletas do amor na boca do estômago. Nosso corpo enfraquecido padece e delira no desejo. Silêncio agora. É… a paixão é um luxo de quem jamais espera.

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Paixão, qual é a sua?

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A gente envelhece e fica mais difícil se relacionar. Mais manias daquelas que não construímos juntos e sim no prazer da própria solidão. As respostas são mais silenciosas e tudo me parece definitivo demais. Até que a paixão tome conta.
Daí, minha gente, não faz diferença o plano que você traçou, os traumas e medos que colecionou, as culpas que nunca se desfez. Quando a paixão chega chutando a porta do olhar com seu brilho intenso, ser racional nenhum é capaz de conter o prazer do encontro.
Independente do sentimento estar dentro da gente mesmo ou projetado no outro, apaixonar-se é uma das coisas mais bonitas do mundo. Apaixonar-se é tipo virar adolescente depois de crescer adulto. E, quanto maior sua consciência, para o mundo ao redor, mas plena é a juventude revigorante que se apaixonar carrega.
Pode ser paixão nova, paixão repetida e redescoberta. Na concepção dos meus dias, ela é o primeiro passo para cultivarmos o amor. Pode ser paixão de estar junto ou paixão pelo movimento e ideia. Paixão pela paz que cerca. Paixão daquelas que parece que a gente conheceu desde sempre. Tanto faz. Só precisa ser paixão, a profunda entrega diante da vontade de descobrir o outro.
Paixão, paixão e paixão.
Qual é a sua?

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